Nini era uma garota excepcional, possuia uma inteligência fora do normal. Aos 4 anos de idade já havia por conta própria aprendido a ler e escrever, e desde essa época se encantou no mundo da leitura.Jornais, livros de escola, revistas, manuais e até bulas a garota gostava de ler. Quando andava de carro lia todo outdoor que via.
Esse era o passatempo preferido da Nini. Preferia folhear seus livros a brincar com seus amigos. Só parava quando ia fazer suas refeições, quando ia fazer suas necessidades, quando ia fazer um favor para alguém ou se ia assistir televisão. Assistir era sua segunda melhor diversão, era também o único equipamento eletrônico tecnológico mais avançado que ela utilizava.
Sua mania era sentar bem perto, mas bem perto do aparelho para ver os programas transmitidos. Sempre tendo um dos seus responsáveis a advertindo que isso lhe faria mal para seus olhos. Mesmo assim Nini continuava perto da televisão assistindo até sua vista começar a arder e cansar. Ia cochilar para mais tarde fazer e refazer suas tarefas de casa.
Assim que terminava com as lições pegava qualquer livro que tivesse pego emprestado da biblioteca ou que comprou em algum sebo e começava a o debulhar. Ficava até a noite viajando nas palavras, muitas vezes ia dormir tarde de tão entretida que ficava com as histórias. Terminava suas leituras já com o dia amanhecendo.
Com essa mania dela de madrugar lendo vinha o problema da Nini ter que muitas vezes forçar seus olhos para ler no escuro. Outro motivo para a pequena levar bronca. Mas logo ela ia descobrir que os puxões de orelha eram para seu bem. Os problemas começariam na escola.
Ao decorrer do ano escolar a garota começa a ter dificuldade para enxergar o que os professores escreviam na lousa. Passou a sentar na primeira fileira para tentar ver melhor, mas logo passou a levantar-se de sua carteira e se aproximar do quadro. Várias vezes durante as aulas. Passou a esbarrar com frequência em outras pessoas e nas paredes.
Algo sério estava ocorrendo com Nini. Ao ser quase atropelada por não ver um veículo que vinha passando enquanto ela atravessava a rua da escola, seu professor que havia presenciado o ocorrido a chama na sala de aula para uma orientação. Foi perguntada uma série de coisas à Nini, que explicava e confirmava tudo.
O professor da garota então lhe entrega um papel para seus responsáveis lerem. A curiosa foi ver o que estava escrito, e era algo sobre exame de visão. O que iam lhe fazer nos olhos? Seus colegas começaram a falar besteiras que aos poucos faziam ela ficar com medo. Tipo que o doutor ia furar seus olhos com um laser e os arrancaria fora para lhe pôr olhos mecânicos.
Pronto, o desespero logo lhe bateu quando Nini entrega o bilhete para os pais. Foi combinado que no dia seguinte ela iria até a clínica acompanhada de seu irmão mais velho fazer o exame. Era para dormir cedo hoje, mas Nini estava muito temerária de que fizessem algo de ruim com seus olhinhos. Foi adormecer quase às 5 da manhã.
Os irmãos pegam o ônibus até o centro da cidade. A pobre Nini não conseguia ver nitidamente o rosto das pessoas sentadas mais ao fundo! Eis que o veículo chega ao ponto que fica próximo de uma ótica. A garota começa com um choro escandaloso sem motivo, por causa do exame que ia fazer. O irmão pacientemente tenta acalmar Nini antes de entrarem no prédio.
No consultório, já acalmada, o doutor senta a pequena numa cadeira e vai já pingando colírio na vista dela, que reclama que o remédio arde. Em pouco tempo sua cadeira é virada para um painél cheio de letras de diversos tamanhos, que ela teria que dizer quais via perfeitamente. Primeiro com o olho destro, depois com o olho canhoto. Pouco Nini acertou daquele painél até o médico trocar diversas vezes as lentes na frente de seu rosto...
Depois de mais alguns exames feitos com uma máquina computadorizada em seus olhos, seguiu o diagnóstico: nada de grave havia em sua visão fora os 5 graus de miopia em cada olho. A garota ia passar a usar óculos de grau. Foi a escolha dela porque só de pensar em cirurgia para correção já começava a tremer de medo.
Com a receita em mãos, Nini e seu irmão vão até a parte da ótica tirar a medida para os óculos e para escolher a armação. Como a garota sabia que seu irmão amava branco, foi logo escolhendo essa cor para agradá-lo. A escolha que tinha feito combinou muito bem com ela! Estava muito bonita usando aquela armação branca como ela.
Com o prazo de 3 dias para o término da conclusão dos óculos chegado ao fim, os dois retornam para pegar o produto. Nini fica maravilhada com o mundo que ela tinha deixado de enxergar. Ficou adimirando toda a paisagem na volta para casa. Conseguia ver os carros passando ao longe. As letrinhas da televisão estavam nítidas de novo.
Não se levantava mais de sua carteira para decifrar as escritas do quadro. E sempre vinha um amigo perguntando sobre o exame, que ela explicou que não era como eles pensaram. A única coisa ruim era o colírio que ardia e embaçava a visão. Alguns curiosos também pediam seu óculos emprestados para testes curiosos.
Nini tinha um novo companheiro para clarear seu olhar de garota genial. De seu rosto ele não saia nem para fazer suas lições, nem para fazer suas necessidades, nem para fazer favores, muito menos para assistir. Somente na hora de dormir Nini os retirava com medo de os quebrar. E essa hora muitas vezes vinha pela manhãzinha por causa de seu hábito impulsivo de leitura. Agora de luz acesa para agredir menos a visão!
(As contas de energia seguintes passaram a vir mais caras, mas isso pouco importa, a saúde da Ninizinha vem em primeiro lugar!)
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Fatos pouco relevantes pós-história:
1- A Nini da visão míope tem 8 aninhos.
2- Seu irmão mais velho tem 16, sua mãe 32 e seu pai 40.
3- Nini frequenta o 3º ano do ensino fundamental em uma escola pública.
4- Nini consegue ler um jornal inteiro em 20 minutos ou menos.
5- Nini é ambidestra, mas prefere usar mais a mão direita para escrever.
6- Antes do exame ela já entrou na sala de aula errada 3 vezes.
7- Nini ia quase tirando sua camiseta quando foi fazer o exame de visão, pois pensava que seria exame físico igual o da escola.
8- O professor da Nini também tem miopia, mas apenas de 2,5 graus.
9- Nini tem um guarda roupa com 95% das roupas brancas. Apenas algumas calcinhas dela são listradas em azul e preto, e seu uniforme escolar tem a saia vermelha.
10- O verdadeiro nome da Nini é Michieli. Seu apelido até entar na escola era Mimi, ela mudou porque achava esse muito feio.
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