sexta-feira, 9 de julho de 2021

Cuidados com uma pequena bem pequena

  Sábado, sete horas da manhã. Estava eu dormindo tranquilamente em meu quarto, cansado por causa do dia anterior que foi puxado, o professor quase escravizou a nós alunos. Queria eu poder ter dormido até mais tarde, mas uma pessoa em específico não me permitiu isso. Uma pequena pessoinha que logo cedo veio para me despertar... uma pessoinha fofíssima que sempre alegra minhas manhãs.


Estou me referindo à minha pequena maninha, vinda ao mundo a pouco mais de três anos, oito a menos que eu. Veio até meu quarto puxar minha coberta e atirá-la no chão. Como eu não acordei ela resolveu subir em mim e ali ficou me cutucando na bochecha, puxando minhas pálpebras e me mordendo com seus dentes afiados. Vou logo ver o que ela quer, até porque ela pesa para caramba!


Ainda atordoado pelo despertar brusco, eu a ponho no chão e desço da cama. Verifico se ela fez alguma necessidade para que eu possa limpá-la: nada, a sua fralda encontra-se seca. Então esse espetáculo todo deve ser fome. Deduzi isso pelo seu comportamento, que é igual ao que ela apresenta para com meus pais. Mas como nenhum dos dois se encontra logo ela desconta em seu pequeno irmão mais velho.


Despertei de vez, o homem da casa atual tem que esquentar a comida da pequena ali, que adoravelmente chupava o dedinho indicador da mão esquerda enquanto com a direita segurava na minha camiseta enquanto íamos para a cozinha. Se não me engano mamãe deixou sua mamadeira com mingau de arroz no microondas. Sim, estava lá! Esquento-a em vinte segundos. Está pronta, se passar desse tempo ela se recusa a comer pois fica muito quente!


Fiz meu café também e fomos comer. Minha irmãzinha foi logo se aconchegando no meu colo para mamar aquela gororoba. Ai ai, minhas pernas vão ficar dormentes em pouco tempo, estão dando fermento ou hormônio para essa menina crescer tanto? É sério, carregá-la no colo por uns minutos é tão cansativo quanto subir a ladeira de casa correndo. Sair a passeio com ela só se seu carrinho for junto.


Terminado o nosso desjejum pus ela para arrotar. Tarefa difícil para mim, tenho medo de lhe quebrar algum osso do corpo. Vixe, ela adormeceu no meu ombro... Vou deitá-la em sua caminha antes que meu ombro desloque e arrumar essa cozinha tão bagunçada quanto eu. Aproveitar esse sossego antes que a hiperativa desperte mais uma vez!


Como fica silenciosa essa casa quando os pais não estão... Seus dois filhos travessos são os que menos fazem ruído. Minha irmã pequena é muito tranquila, não costuma fazer berreiros ou gritar como fazem muitos da sua idade. Na verdade ela pouco fala, prefere ficar com o indicador na boca a maior parte do tempo.


Rapidamente concluí a limpeza e fui ligar a tv. Estava assistindo minha série preferida quando a campainha toca. Ué, o pai já chegou do seu plantão? Fui atender a porta e surpreso fiquei em ver que não era o pai. Era uma garota bonita que aparentava ter a mesma idade que eu. Se apresentou como a filha da vizinha que acabara de se mudar para a casa do outro lado da rua.


Veio dar um oi para todos da nova vizinhança e de lambuja arrumar alguns amigos para brincar. Dei-lhe as boas-vindas e me apresentei, ela também se apresentou para mim. Que bonita essa nova vizinha, porém longe de ser mais encantadora que minha maninha. Mas sei lá, essa garota despertou algo a mais que não sentia com mais nenhuma outra garota com quem eu tinha intimidade.

Convidei-a para entrar. Ofereci biscoitos e um suco de sei lá o quê que sobrou do café. Pra quê toda essa gentileza? Oras, a primeira impressão é a que fica, e eu realmente estava interessado nessa garota. Ela agradece pelo agrado e me pergunta se eu gostaria de ter sua amizade. Sorridente respondi que sim.


A garota também me pergunta se eu poderia lhe apresentar o bairro. Dessa vez a resposta foi um agora não, estava tomando conta da minha irmãzinha enquanto o pai não chega do trabalho. Nesse momento percebo que a criatura pequena está ali no canto da sala observando tudo, sempre com o dedo na boca. Ai ai ai, que fofinha minha irmãzinha é!!!!


Assim também pensou a nova vizinha, que ficou com o olhar de bobona apaixonada. Minha irmã começa a pronunciar meu nome e a apontar para a visita perguntando seu nome, com seu jeitinho vagaroso de se comunicar. Foi o suficiente para a outra vomitar arco-íris e começar a falar com a pequena com aquela voz de retardado que TODO MUNDO faz ao conversar com bebês e animais, achando que assim eles se fazem entender.


A vizinha fazia caras e bocas, e a minha maninha só gargalhava com aquele teatro... tudo bem, pois era o tipo de brincadeira que eu fazia com ela. Me entrometi no jogo e ficamos os três até a pequena não aguentar mais. Ela demonstra o desinteresse quando começa a tampar o rosto com as mãos e parte para me morder. Troquemos a atividade atual para a de rabiscar papéis.


Peguei folhas e giz de cera para começarmos a desenhar. Nesse momento a visitante pega minha preciosa no colo. Eu aviso-a que a menina é pesada. Oh! Ela está aguentando de boa!! Mas logo minha irmã começa a estranhar, empurrando seu rosto e tentando arranhá-la. A vizinha escorrega  e cai com a minha pequena no chão da sala.


Que terrível! A vizinha bateu a cabeça de jeito naquele chão duro! Mas ela felizmente estava bem e consciente. A preocupação maior era minha maninha que cortou a testa quando bateu a cabeça contra a boca da moça que a segurava. A pequena chorava de dor. Nós tentávamos acalmá-la enquanto estancava o sangue. Logo que cessou-se a hemorragia, desinfetei o ferimento e pus um curativo.


A campainha toca de novo, dessa vez é o pai. Que nem percebe a presença da jovem bonita. Vai logo me interrogando sobre o curativo na testa da filhinha dele. A vizinha confessa tudo, mas que foi sem querer. Meu velho dá uma gargalhada e conta que a pequena era assim mesmo com os estranhos, logo se acostumaria com ela. Não precisava se preocupar, até ele já quase derrubou-a. 


Dessa vez meu pai a convidou para o almoço. Estava livre para levar a nova vizinha para conhecer as redondezas. Iamos para a pracinha, quando o pai resolve também sair um pouco, levando a minha irmãzinha. No carrinho, claro! Esse que estava já nas últimas devido sua dona ser gigante para ele. Chegando na praça, as duas moças vão brincar na caixa de areia.


Eis que o pai me pergunta se aquela garota era minha namoradinha. Falei que por enquanto era só uma amiga recém-feita. Antes que eu concluísse meu pensamento a garota alerta sobre a minha irmãzinha. Dessa vez não foi uma tentativa de mordição, mas sim uma fralda que tinha que ser trocada. QUE BOM QUE O PAI TINHA CHEGADO, ELE QUE TERIA QUE A TROCAR, eu não curto muito essa função.


(Dito isso, volto eu a dar em cima da nova vizinha)

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