quinta-feira, 29 de julho de 2021

Problemas com comida

  Essa narração se passa numa metrópole de um lugar qualquer por aí, onde encontram-se residências de alto padrão. Mas isso não é tão relevante para nossa história. O importante é saber quem é a protagonista da vez. Seu nome é Marina, sua idade é a de uma estudante do ensino fundamental e seu tamanho é um pouco menor para o padrão da sua idade. Tinha uma cor de pele bonita e tinha um cabelo de tamanho considerável. Isso também não nos interessa muito. 

A pequena Marina gostava de fazer muitas coisas que alguém da sua idade gosta de fazer. Entre seus hobbies preferidos estavam escutar música, correr, jogar terra nos amigos, tomar banho de mangueira e de chuva, desconfigurar os canais da tv e desmontar os brinquedos que ganhava para ver como eles funcionavam. Em contra-partida, logicamente tinha coisas que não eram de seu agrado fazer. E não era nada sobre tarefas escolares, arrumar o quarto ou tomar vacina, o que se esperaria que alguém da sua idade odiasse.

Três dessas coisas eram o café da manhã, o almoço e o jantar. A menina Marina não gostava de comer. Não tinha apetite pelas comidas de seus pais, que sempre estavam inventando cada prato bonito que parecia feito por chefes profissionais. Parecia que a fome não lembrava de atacar o estômago da moça. E quando lembrava estava ela lá beliscando algumas bolachas de água e sal. Para satisfazer a sede servia-se de alguma latinha de soda ou refrigerante e só.

Não adiantava o que seus pais fizessem, Marina rejeitava tudo em seu prato. A salada com verdura extremamente picada, bife bem passado, macarrão com molho de tomate, purê e até batata frita, nada dessas delícias passava pela boca dela. Mesmo que a moça fosse ameaçada de levar umas palmadas, mesmo com o auxílio de remédios para estimular o apetite, nada resolvia esse problema que fazia os responsáveis da Marina se preocuparem com a saúde dela.

Em pouco tempo começou a piorar sua situação. As bolachas e a água gaseificada com açúcar e corante não estava mais sustentando-a. Não tinha mais fôlego para correr, nem força para jogar terra ou vontade de desmontar as coisas. Começou a emagrecer rapidamente, constantemente sentia fraqueza nas pernas e braços, dor de cabeça e sono. Passou a dormir metade das aulas, o que nada agradava aos professores que sempre empunhavam a culpa nos pais da Marina. Mas a culpa daquela situação era dela própria que não colaborava!

A garota chega no seu limite. Alguns dias depois ao voltar da escola acaba perdendo a consciência quando está a abrir a porta para entrar. Marina é então levada às pressas para o hospital mais próximo, onde recebe os primeiros socorros. Depois fazem nela uma bateria de exames e os resultados não eram dos melhores: desnutrição, anemia, desidratação e perda de cabelo eram alguns dos problemas de saúde que a garota possuía.

Marina terá que ficar internada e em observação por alguns dias. Seus pais bem que tentaram, mas a moça era rebelde. Agora estava nas mãos daqueles profissionais de saúde orientar Marina, que ia ter uma dieta nutricional com aditivos de suplemento em suas refeições. E alguns remédios também. Só receberia alta quando estivesse com o peso e a saúde normalizadas, o que parecia que ia demorar bastante devido às suas condições, estava tão fraca que não suportava ficar de pé por muito tempo.

Estava ela angustiada de ter que ficar naquele leito de hospital sem ter muito o que fazer. O televisor ali tinha sintonia muito ruim, e lá não tinha wi-fi... queria Marina ter pelo menos uma companhia para passar por aquele aperreio. Quando menos se esperou, em três horas chegara naquele quarto outra garota que assim como Marina teve problemas com comida. Nada a ver com sua falta em seu organismo, mas sim o excesso de alimentos nada saudáveis para qualquer um em qualquer idade consumir exageradamente.

Essa chegou na emergência numa situação pior que a da Marina. Tinha acabado de voltar de uma cirurgia urgente pois sua respiração e seu coração pararam de responder. Foi direcionada para esse leito para também ficar em observação e repouso. Ia ser medicada, tratada e estaria brevemente de alta. Também teria uma reeducação alimentar forçada, para evitar que tivesse outro colapso.

Marina cumprimenta sua nova colega de quarto, que também se chamava Marina. Curiosa como qualquer pessoa na idade escolar, a garota pergunta para a garota ali acamada qual foi a causa dela ter ficado dodói. A veterana disse que desmaiou na porta de casa e quando acordou tinha sido levada para lá. E tudo porque ela não gostava de comer, não sabia explicar porquê mas ela não sentia vontade de desjejuar ou ceiar.

Marina achou aquilo absurdo! Como assim aquela garota não gostava de se alimentar? Comer era uma das coisas que mais ela gostava!! Aquilo não lhe cabia na cabeça. Tudo bem, depois de ouvir aquele absurdo era sua vez de contar sua trajetória até aquele quarto. Os principais responsáveis por ela ter quase partido dessa para uma melhor era o excesso de sal e de gordura que ela consumia. O que com certeza entupiu suas artérias.

No seu relato Marina também confessou ser sedentária, só levantava da cama para comer e usar o banheiro, ou para ir à escola. Outro problema era o cigarro: os pais da Marina 2 costumavam fumar com muita frequência, até durante as refeições, o que fazia a menina inalar toda aquela fumaça tóxica e fumar passivamente. Tanto é que muitas vezes Marina sofria com ataques de asma e rinite.

As duas Marinas logo tornam-se amigas e compartilhadoras de leito. A da asma é tagarela demais, contava todo tipo de história real ou fictícia para a menina das bolachas. Era uma garota divertida. E bastante responsável tanto com ela quanto para sua xará, pois logo tratou de anotar e lembrar sua companheira os horários para tomar os medicamentos, dispensando o auxílio dos enfermeiros, que só tinham a função de trazer as refeições das pacientezinhas na hora certa.

Que comida vistosa! Mesmo não sendo tão boa de gosto quanto coxas de frango encharcadas de óleo ou macarrão com queijo e molho de tomate e pão com salsicha, mas com certeza Marina ia ter vontade de experimentar. Então a missão será servir a amiguinha pacientemente até ela aprender a saborear a comida e não ter que passar por aquele constrangimento de novo. Ela vai ver só o que sua teimosia estava fazendo ela perder.

Haja paciência! Marina era irredutível nos seus pensamentos. Não colaborava com a amiga, sempre cuspia a comida em seu rosto. Ou jogava o prato no chão, fazendo-a ficar desapontada com o esforço em vão. Contudo em seu pensamento aquela má fase da colega ia passar e ela ia entender que o que ela fazia era para seu bem, para as duas saírem daquele hospital o quanto antes.

O que restava para a Marina fazer era ajudar a amiga fraca a tomar banho e a entretr com alguns jogos que seus pais lhe trouxeram. Ensinou para Marina como jogar damas, trilhas, vinte e um e truco. Quando não era isso, estavam as duas montando um quebra-cabeça de cinquenta mil peças. Marina também conseguiu ajustar a imagem da televisão do quarto para que ambas assistissem quando enjoavam dos jogos analógicos.

A amiguinha da Marina era excepcional! Menos quando era hora da comida, pois era quando ela lhe enchia o saco. Tanto é que a pequena já impaciente com a persuação da Marina tenta fugir dali. Ainda fraca das pernas resolveu dar um pique, o que resultou numa fratura no osso da perna. Que dolorido! Agora ela não poderia mais como escapar da sua amiga e pior: teria que engessar o membro machucado e ficar em cima de uma cadeira de rodas até cicatrizar o osso. Ia demorar mais para ter alta? Talvez sim, e por sua culpa!

Naquela noite na hora de jantar a Marina engessada ficou muito sentida e começou a chorar escandalosamente, imaginando se ela nunca mais iria andar. Finalmente a paciência da outra Marina foi-se. Ela começa a ralhar com a chorona, dando pesadas broncas. O que ela estava sofrendo ali não lhe passaria se ela não fosse teimosa ou enjoada. Se ela comesse mesmo que um pouco ajudaria com os suplementos que tomava.

Pior tinha acontecido com ela, que quase perdeu a vida por maus hábitos e veio a  infartar. Não estava resmungando por isso, estava usando o tempo da recuperação para rever sua saúde. Marina terminou a conversa dando-lhe um tapa bem dado na cara e avisou: -Se você não se acertar nunca mais ia ver seus pais, vai daqui direto pro cemitério, vai ficar enterrda para sempre e não ia poder mais brincar, estudar ou fazer o que gosta.

Marina foi dormir traumatizada depois dessa bronca. Acordou no dia seguinte mais cedo que sua companheira e sem a ajuda dela foi pilotando a cadeira até o banheiro para se lavar. E também sem a ajuda da Marina tomou seus suplementos e comeu sua refeição da manhã totalmente, assim que o doutor a serviu. Inacreditável, a dura que ela recebeu tinha surtido efeito. Que ela continue assim então.

Chega o dia que a Marina faladora recebe alta. Agora a outra garota ficaria sozinha, a amiga continuaria seu tratamento em casa. Tudo bem, a garota já estava mais forte e começava a ganhar peso. O cabelo parou de cair e estava voltando a crescer e o osso da perna tinha se calcificado. Também, o fato de ela não gostar de comer era apenas coisa do seu psicológico. Bastou um choque na sua mente que a Marina conseguiu lhe fazer.

Foi só uma semana a mais para a Marina 1. Foi liberada assim que alcançou o peso ideal. Estava bem diferente de aparência, de apática e cansada passou a ser mais enérgica e alegre. Tinha aumentado a sua atenção e concentração, e voltou a praticar seus hobbies preferidos. E o mais importante, começou a se alimentar corretamente, e para a alegria dos pais sempre estava querendo experimentar coisas novas.

E a outra Marina? Por coincidência acabou trombando com a amiga na escola que estudavam. A matraca foi logo contando o quanto sua vida mudou para melhor depois da sua mudança de hábitos. Passou a consumir menos sal e menos alimentos gordurosos. Tomou vergonha na cara e passou a dar caminhadas todo final de tarde, e fazer alguns exercícios leves. Da parte de seus pais o trauma de quase ter perdido a filha fez com que eles largassem o vício do fumo.

Antes que Marina ousasse quebrar aquele monólogo a garota ali faz um convite para que a amiga visitasse-a ainda hoje em sua casa  para continuarem aquele quebra cabeça praticamente infinito, ou para jogar monopólio, ou talvez até umas aulas de xadrez, qualquer coisa. Marinazinha acena um sim com sua cabeça já cheia novamente com fios lisos e brilhantes, e pergunta para ela: -Qual vai ser o lanche?

sexta-feira, 23 de julho de 2021

Irmãzinhas em dose dupla-final

 Dia 7,8 e 9- Lavagem completa e resfriados


Fim de semana, sol queimando, é dia de lavar o carro. Ele será usado amanhã para transportar a famíilia para a praia. As gêmeas devem dar conta do recado, os outros membros da casa estão ocupados com a faxina mais pesada. Hana e Hina pegam os baldes e detergente, mangueira e vão até o terraço onde a pequena van pertencente à mãe das garotas encontra-se estacionada. Hora de lavar o automóvel.

Mas não antes da Hana inventar mais uma: simular a praia. Como? Com seu traje de banho, assim não molharia a roupa. Poof, ideia genial! Logo ela convenceu sua irmã a colocar um biquíni também. E novamente estavam as duas combinando, em cima azul com listras brancas, em baixo branco com listras azuladas. E assim seminua a pequena Hina abre a torneira para encher os baldes, que Hana jogava por cima do calhambeque.

A mangueira seria usada no enxágue, para economizar água, antes que perguntem-me. Hina divertia-se ensaboando a van. Como é fácil lavar algo que não a mordia, arranhava ou não parava de se mexer! E também Hana não poderia a incomodar porque estava ensaboando o lado oposto. Não a incomodaria por pouco, porque era hora de tirar todo o sabão. E assim a Hana engata a mangueira na torneira.

Quando ela abre, a pressão da água vem com força total, ela não consegue controlar a mangueira, que despeja um monte de água gelada em cima da Hina. Que banho inesperado!! A garota parte para cima da irmã com uma flanela cheia de sabão e esfrega-a na boca da Hana. Que se defendia com a mangueira descontrolada enquanto era mordida e espancada com um dos baldes. Hinazinha não estava de bom humor hoje!

No fim apareceu Hyuu que deu fim na confusão e pôs ordem ali. As duas terminaram a lavagem da van e foram se secar, sobretudo Hina que quase tinha se afogado. Pediu desculpas por ter feito a irmã comer detergente e por ter machucado-a valendo com o balde. Da parte de Hana a desculpa foi por ter molhado sua irmã, de surpresa. Parte da culpa foi dela  ter aberto a torneira com tudo sem verificar a pressão da água. Feita as pazes foram assistir documentário na televisão juntas. Já secas e vestidas.

Madrugada, seis horas e pouco do dia de ir à praia. Hana pula de sua cama, eufórica, para acordar sua irmãzinha. Há algo errado com ela. Hina está suada, porém treme como se estivesse com frio. E está muito quente, a testa da pequena está fervendo. Hana percebeu também que Hina chorava bem baixinho. Foi então chamar Hyuu para verificar o que acontecia com a pequena que visivelmente tinha adoecido.

Munido de um termômetro o rapaz confirma a febre da garota, que também reclamava de dor de cabeça e fraqueza no corpo. A brincadeira de água gelada fez Hina ficar resfriada. O choque térmico foi demais para ela aguentar. Agora Hana estava preocupada, sentia-se culpada por ter deixado a irmãzinha dodói. E se ela morresse? Não tenhamos esse pensamento ruim, basta que Hina descanse bastante que logo ela melhorará!

Tendo uma enferma em casa seria impossível os outros familiares viajarem hoje. Paciência, o que importa é que Hina sarasse. A travessa Hana foi a que mais se sensibilizou com a situação. Naquele dia não saiu nenhum momento de perto da Hina. A não ser para ir até a cozinha pegar água para a irmã beber. Até carregava-a até o banheiro quando estava apertada. E toda hora estava limpando o suor da Hina com lenços umedecidos.

Os remédios ficavam por conta da mãe e do irmaozão. E também a comida, que Hana fazia questão de servir para a Hina, soprando para ela não se queimar. Quando a garota começava a chorar de dor, Hana pacientemente lhe fazia carinho na cabeça, e a abanava até ficar com o braço cansado. Já era tarde quando a irmã doente conseguiu dormir. Hana exausta também acaba dormindo. Ali mesmo, ao lado da cama da Hina, ajoelhada.

Dia seguinte, Hana parte para escola sem sua cópia. Hina ainda não está totalmente disposta. Vai ficar sob os cuidados da mãe que pediu o dia de folga para cuidar da filha. Os outros dois vão estudar desejando a melhora da irmã que ficou. Que ainda naquela manhã por volta do café da manhã, umas nove horas mais ou menos, já estava 100 por cento recuperada graças à sua família bastante atenciosa.

Hana tinha saído mais cedo da escola por pedido feito por ela, aceito devido à condição de saúde da Hina. Foi recebida na porta do quarto com um amoroso e apertado abraço pela sua irmãzinha querida que já aguentava ficar em pé. Depois de receber um beijo na testa da Hina, essa fala o quanto ela é sortuda por ter uma maravilhosa irmã gêmea como a Hana, que  pode passar muitas vezes do limite, mas sempre é cuidadosa e carinhosa com ela. Não só ela, mas Hyuu e a mãe também. Que família divertida!!


E assim acabam-se, talvez por enquanto ou definitivamente, essa coleção de contos sobre essa dupla da pesada e seus dois familiares. Talvez essas tramas possam ter passado contigo ou com alguém conhecido seu parcialmente ou totalmente. E essa coincidência pode ser interessante. Enfim, o narrador parabeniza a ti por ter chegado até o final dessa narração extensa. Espero não ter enrolado muito você e também ficarei grato se ao acaso continuares a ler minhas histórias. Tchau e até uma próxima. Saúde e paz para todos!! 

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Parte 6 da saga das irmãzinhas gêmeas

 Dia 6- Vou desafiar você

Aula vaga, oficina da encrenca. 47 alunos afoitos sem nenhum professor para pôr ordem. No meio dessa bagunça estão as nossas gêmeas. Hina quieta na sua carteira, cochilando, e sua irmã na banca atrás cutucando-a e lhe jogando bolinha de papel. Melhor ver o que Hana quer dela. E como nas outras histórias é óbvio que se trata de mais uma ideia genial com selo de qualidade "ferre sua irmã que te parece".

Antes Hina continuasse dormindo, mas era capaz de acordar com o rosto pintado com caneta hidrocor permanente. E também com a algazarra feita pelos outros 45 era impossível o descanso. A brincadeira da vez era o "Desafio". Nome auto-explicativo. O desafio proposto pela Hana foi o seguinte: com sua irmã debaixo da mesa do professor, ela bateria três vezes em cima e Hina teria que aguentar. Valendo o dinheiro do lanche.

Hina concorda, receosa que sua maninha fosse dar pancadas violentas na mesa, arrebentando-a e lhe acertando um cascudo na cuca. Difícil, por mais que Hana fosse peralta ela jamais depredaria patrimônio escolar. Ainda assim foi para baixo da mesa com medo de ser enganada pela enésima vez. Hana começa com o desafio: dá a primeira batida, bem devagar; logo em seguida a segunda pancada, de boa. 

Na hora da terceira batida, a menina simplesmente foi sentar em sua cadeira e começou a ler algum mangá enquanto a aula vaga passava. E a Hina lá embaixo com cara de boba olhando para Hana em sua carteira (sim, na cadeira da Hina!) e esperando o momento que a mesa ia ser esmurrada. A sapeca ri da irmã e fala que quando desse vontade ela bateria de novo. Se ela quisesse que saísse dali e perdesse o desafio.

Ah não Hina, você tem que parar de confiar nos trambiques da sua irmã. E tem que sair porque vem vindo a professora. Que quer saber por quais circunstâncias a menina estava naquela condição. Foi explicado à mestra a brincadeira do desafio e que tudo era obra da Hana. Ok, ok, antes da Hina voltar para sua banca a professora cochicha em sua orelha uma ideia de desafio para ela fazer com a Hana.

Chega o intervalo, a esperta Hana pega o dinheiro da Hina e vai comer dois lanches. Nesse momento é feita a proposta do desafio, dessa vez valendo a mesada do mês. Uou, agora é sério, o nível de aposta é irrecusável. Depois do recreio seria aplicado um exame da matéria que Hana costumava se dar muito bem. A garota foi desafiada a tirar uma nota maior que a Hina e pronto, vencia e levava a bolada avaliada no valor de um jogo em lançamento.

Última aula, a prova. Chegou o momento de humilhar a irmã e deixá-la falida. Vantagem: ter perturbado-a com música alta enquanto tentava se concentrar nos estudos. Em tempo recorde as gêmeas entregam suas provas simultaneamente. E logo a professora corrige-as. Hana tira um excelente 9,8. Nota imbatível? Não para a Hina que tira 9,85!! Oh, por um erro ortográfico... foi quase, garota! Da próxima tenta outro desafio.

E o que ela poderia apostar? Talvez o Hyuu? Não, ele é propriedade compartilhada das duas gêmeas. Melhor esquecer essa história de desafio, é uma brincadeira muito perigosa. Prossigamos com os cutuques e bolas de papel voadoras toda vez que não tiver professores na sala. Para Hina restava fugir para a sala dos professores para fugir daquela confusão desenfreada pior que "torcida organizada" em dia de futebol.

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Centésima postagem uhu (Irmãzinhas em dose dupla parte 5)

 Dia 5- Desenho virtual


Uma televisão em casa, duas garotas querendo assistir: Hana queria ver o filme de terror do canal X, Hina queria ver os desenhos animados da emissora W. Hora da briga? Hora da briga!! Hana vai logo puxando os cabelos da irmã, Hina vai de beliscão e bicuda. No fim a Hina que não aguenta muito apanhar vai embora dali chorando. Tem desenho na internet para assistir, mesmo que na tela pequena do seu celular (que a Hana tinha trincado).

Para o azar da Hina a casa toda estava sem conexão, a internet tinha caído. Não dava para assistir. Resolveu então sair no quintal para brincar de terra ou mexer nas plantinhas. Mas também não pode ficar muito tempo fora porque ia começar a chover forte. Foi então ver o que seu irmão Hyuu estava fazendo. Ele estava ele mexendo no computador, treinando seus dotes artísticos enquanto a internet não retornava.

Da porta do quarto Hina olhava encantada com aquilo que seu irmão desenhava, usando uma canetinha no pequeno objeto ao lado do teclado, virava desenho no monitor do pc. Como se fosse em um papel de verdade. Até borracha virtual tinha para corrigir erros! Seria assim que seus mangás preferidos eram ilustrados? E como são bonitas as ilustrações que o Hyuu faz... (quando as roupas delas serão desenhadas?)

O rapaz logo percebeu a pequena fã vidrada com aquele desenho e a convida para experimentar aquele equipamento com a mais alta tecnologia. Hina senta na cadeira do Hyuu e esse começa a explicar para a garota como funcionavam a caneta, o tablet e as funções do programa: pintar, cobrir linhas, formas e cores. Era fácil e intuitivo, sem nenhuma dificuldade a garota tinha começado a fazer seu primeiro desenho digital.

Ryuu repentinamente recebe uma ligação da mãe: tinha que ir até o metrô ali perto para ajudá-la  a carregar alguns pacotes de compra que estavam demasiadamente pesados. Teve então que sair e deixar a pequena Hina sozinha no computador. Tudo bem, ela ficaria quieta e entretida com o software de produção de gráficos, ela não teria condições de desconfigurar o computador. Assim ele esperava.

Mas em casa também ficou a Hana. Que depois do filme que assistia ter terminado,  foi ver onde sua maninha foi se esconder depois da surra que levou, queria fazer as pazes e convidar ela para assistir ao resto dos desenhos. Não estava no quarto delas, não estava no banheiro, nem na chuva. Foi encontrá-la mexendo na máquina do irmão mais velho. Fazendo um belo trabalho artístico que chamou a atenção da Hana. 

Hina foi mostrar, toda entusiasmada, para a irmã o que tinha aprendido sobre fazer ilustrações no computador. Hana no primeiro instante achou aquilo tudo interessante, mas em dez minutos começou a ficar entediada. Queria mexer na internet por ali. Mas ainda não havia conexão. Pensou Hana que talvez fosse um cabo ali atrás mal encaixado. Hina diz que seria melhor esperar o irmão voltar para ver o que a internet tinha. Mas ela não foi ouvida.

Hana pegou o primeiro fio que viu e deu uma puxada. Ouve um estalo elétrico e o monitor apagou. Ela foge da cena do crime deixando a Hina para trás com o problema. A garota novamente começa a chorar pensando que o computador tinha quebrado. E agora o Hyuu não poderia o utilizar mais para jogar ou trabalhar. E também não teria mais como imprimir seu desenho, que ela esqueceu de salvar.

Eis que voltam com as compras a mãe e o Ryuu, que vê a chorona desolada na frente do micro com a tela apagada. Ela o diz que foi a Hana que arrancou algum fio ali qu fez bum! e desligou tudo. O irmão vê o fio solto e o religa. A tomada da tela tinha se soltado, só isso. A Hina ficou aliviada que o computador não tinha quebrado! E o desenho estava ali ainda, para ser salvado e imprimido.  Hyuu fez isso para sua irmã.

Hina corre para mostrar seu desenho para a Hana, que estava na sala assistindo desenhos! A garota ficou surpresa pelo computador não ter quebrado. Hina lhe explicou que o fio que ela tirou era a tomada do monitor, bobona! Depois foi mostrar seu desenho para a mãe. O desenho que ela fez de seus três adoráveis filhos. E qual daquelas desenhadas ali era a Hina? Ela respondeu para a mãe que logicamente era a de cabelo preto comprido. Hina brincalhona!

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Irmãzinhas em dose dupla-parte 4

 Dia 4- A gaveta dos tesouros


Época de provas. Estão as duas garotas estudando além do costumeiro. Hina se esforçando para extrair o máximo das explicações dos livros, fazer suas tarefas e revisar a matéria, e Hana se esforçando para copiar as respostas da irmã. Sem copiar na cara dura, mudando algumas coisas por sinônimos. "Espertinha"!

Em determinado ponto daquela sessão impiedosa de estudo puxado, Hana agora um pouco mais séria em relação às tarefas encontra um problema muito difícil de se responder. Tão complicado que nem a Hina com um Q.I um pouco maior que o dela soube explicar. Melhor pedir auxílio para o Hyuu, já que ele cursava várias séries acima delas (poxa narrador, estou começando a desconfiar de você).

O irmaozão não estava no quarto dele. Nem em lugar nenhum da casa. As duas então voltariam para a sessão de estudos. Mas antes Hana fez a cabeça de Hina: insistiu para que elas aproveitassem a ausência do Hyuu para explorar suas coisas. Hina estava com um pouco de medo, mas estava curiosa com o que o irmão poderia estar escondndo nas suas coisas. Atacaram logo as gavetas da mesinha onde o computador ficava.

Nada de interessante acharam ali, a não ser alguns pacotes roxos com umas coisinhas arredondadas dentro. Pacotes esses que estavam bem enfiados no fundo da gaveta. Hina acha melhor guardar aquilo, pois não sabiam o que era. Porém HAna foi logo rasgando um para ver o que tinha dentro. Era uma coisa de borracha, pegajosa por dentro, que desenrolada tinha um formato daqueles balões usados para fazer bichinhos.

Hana pôs aquele objeto na boca e por instinto começou a enchê-lo. Quando lhe faltou o ar, a tal bexiga estava cheia. Seu formato parecido com o de uma salsicha transparente não era agradável para as meninas. Resolveram então tentar fazer as tais esculturas artísticas, sem sucesso. E se enchessem mais? Será que daria para amarrar uma na outra e fazer os animais de borracha?

Antes que outro balão fosse enchido o Hyuu retorna de onde estava e vê as gêmeas mexendo nas suas coisas. Hina põe-se a chorar de nervosa. Hana vai pedindo logo desculpas pelas duas... mas por estar muito curiosa quer saber o que eram aquelas coisas parecidas com balões. Hyuu receou em explicar tudo detalhadamente por elas serem pequenas demais para entender o assunto, mas a Hana insistiu demais. 

Ele então pega o celular da garota e faz uma pesquisa sobre o assunto. Manda ela ler aqueles artigos e estudá-los com detalhes se quisesse saber mais sobre o uso desses objetos borrachudos. Hina interrompe sua irmã perguntando se ela esqueceu porque elas tinham vindo até o quarto do Hyuu. Sim, a questão que elas não estavam conseguindo responder. O irmão prestativo resolve então ajudar suas pequeninas com a lição.

E logo depois de terminado os estudos as meninas voltam sua atenção para o material salvo no celular da Hana. Hina que absorvia cada parágrafo escrito naquela tela atentamente se surpreendia com a criatividade que os adultos tinham de inventar brincadeiras. Bem nojentas e nauseantes para ela, bem bobas e engraçadas para a outra gêmea. Que como a Hina teve a mesma reação: ainda bem que nossos pais não usaram isso!

domingo, 18 de julho de 2021

Irmãzinhas em dose dupla- parte 3

 Dia 3- Animais de estimação

É comum e normal na idade das gêmeas ter-se um animal de estimação. E essas gostavam muito dos bichinhos que possuiam (pudera, o irmão quem tinha presenteado as garotas com os mascotes). Hina tinha um hamster de estimação, que custou a cara toda ao invés de só os olhos. Caríssimo! Hana tinha como companheiro um gato preto que fora abandonado e recolhido pelo Hyuu.

Mais uma vez a astúcia sem limites da pequena Hana faz ela planejar uma travessura com a irmã. Tinha achado um rato que ficou preso numa armadilha. O animal era muito parecido com o hamster da Hina, perfeito para enganá-la. Escondeu o mascote verdadeiro em sua gaveta onde ela guardava seus doces e pôs o rato em seu lugar. Depois pegou seu bichano no colo e chamou a Hina.

Fazendo um teatro digno de uma indicação ao oscar, o felino é arremessado pela sua dona dentro do aquário que era adaptado para o hamster não escapar. Não deu outra, o gato que passou muito tempo sobrevivendo pelas ruas, sem luxo e sem frescura tratou de descer o petisco suculento para dentro do seu estômago, para desespero da Hina. E Hana só no canto dando risada.

A dona do hamster chorava a morte de seu bichinho (que nem tinha morrido). Xingava Hana com os poucos palavrões que sabia (tinha aprendido com a Hana!) e enchia-a de mordidas. Eis então que a brincalhona leva a garota nervosa até o local que escondera o mascote valioso. Tragédia! Pelo menos para a Hana: o bichinho tinha roído seu pacote de salgadinho de queijo que estava fechado!

Hina no mesmo instante engole o choro e começa a rir do azar da irmã. Rir não, gargalhar!! Hana começa a se enfurecer e quer expulsá-la do quarto, mas o quarto pertence as duas... Beleza, é melhor ir lavar as mãos pois lembrou que tinha pegado em um rato sem procedência, que com toda a certeza tinha frequentado o lixo e o esgoto. Eca, como teve coragem de tocar tal imundície? Hana vomitou na hora!

Outra história envolvendo o gato da Hana aconteceu quando as gêmeas resolveram por obra da sua dona lavar o felino. Para quê? Não se sabe, mas segundo a Hana o gato não cheirava bem (estaria ele resfriado?). Bem, se a Hina podia lavar seu mascote porque ela não poderia? Aproveitou que estava na hora dela e sua irmã tomarem banho para também lavar o bicho. Com ajuda fica mais fácil de o lavar.

Ficou decidido entre as gêmeas que Hina seguraria o animal enquanto Hana o lavaria. É lógico que como a maioria dos gatos, esse não gostava nem meio pouco de entrar em contato direto com a água. Logo ele se arma de suas habilidades felinas para no mesmo instante se vingar das garotas. Patada de gato, arranhão, presas afiadas e bola de pelos, dificultando sua ensaboação.

Hana perde a paciência e taca o animal na banheira para enxaguá-lo. E vai ajudar a Hina que estava com a pele ardendo por causa dos arranhões. Rapidinho os três saem do banho. Outra vez sobrou pro irmão mais velho passar remédio nas feridas da dupla dinâmica. Que até nos arranhados combinavam! E o gato? Esse foi pego com a toalha da Hina, e secado com o secador, também da Hina!! 

Hora do jantar, a família se junta á mesa para comer. E no canto, debaixo da mesa, o prato do gato. Cheio de peixe comprado por sua dona com a mesada do mês, cozinhado pela mãe. Muito melhor  que o rato supostamente de esgoto, lixo. Hana mesmo estabanada e exagerada era um amor de menina, assim como a sua irmã. Pena que dinheiro para comprar salgadinho só mês que vem agora!

sábado, 17 de julho de 2021

Irmãzinhas em dose dupla-parte 2

 Dia 2- Essa roupa é minha!

Como foi dito antes, as gêmeas estavam sempre vestindo as mesmas roupas. Só que não. Poderiam ser da mesma cor e modelo, mas as roupas da Hina a própria costurava seu nome nelas.  Roupa de cima e de baixo, toalhas, fronhas e cobertores, todos ela colocava nome. Mas a Hana, relaxada como ela era, pouco prestava atenção em qual era dela, ou fazia de propósito para irritar Hina.

Quando Hina ia ver, sua escova estava sendo usada pela irmã. Ou seu fio dental. Ou seu sabonete. Ou seu chinelo, pente, secador, celular, caderno, tudo. Mesmo que Hana tivesse suas coisas próprias sempre para provocar ou por preguiça de procurar do seu lado do guarda-roupa, pegava "emprestado" da Hina.

A confusão dessa vez se deu por causa de uma calcinha. Sim, até uma peça desse tipo é motivo para as garotas entrarem em modo de guerra. Ainda mais porque foi um presente dado pelo Hyuu (que conveniente por parte do narrador). Depois das duas irmãs dividirem a banheira era hora de se trocarem para irem jantar. Hana correu na frente e foi direto na gaveta de lingerie da Hina. E foi direto na sua calcinha preferida. A que o irmão tinha dado, a única diferente que ela possuía.

Hina viu aquilo e não gostou. Partiu para cima da irmã, toda enciumada, tentando arrancar a peça na marra. Hana tentava afastar ela, empurrando a outra até ela cair. Como a mão da Hina não soltou de sua lingerie, essa tinha se rasgado. Desnecessário, Hana tinha deixado sua irmã triste por causa de sua teimosia.

Nesse momento aparece o irmão (outra conveniência, estou vendo isso narrador sem-vergonha!). Hyuu quer saber o porquê do berreiro da Hina. Hana explica que foi por causa daquela calcinha ali no chão rasgada. O moço compreendendo a situação falou para a Hina que depois do jantar iam os dois para o shopping comprar lingerie nova. Somente para a Hana. A Hina malcriada não merecia! Bem... dessa vez a Hinazinha que levou cascudo da outra irmã.

sexta-feira, 16 de julho de 2021

Irmãzinhas em dose dupla-parte !

  A seguir será contada a história de um irmão e suas irmãs mais novas, gêmeas. Uma a cara da outra, eram rigorosamente semelhantes em tudo, desde seus tamanhos e até aparência. Penteavam-se do mesmo jeito, vestiam as mesmas roupas, enfim, faziam tudo que costumeiramente gêmeos fazem por conta própria ou por influência dos parentes.


Mas apesar de serem cópias perfeitas fisicamente, psicologicamente eram bastante distintas uma da outra. Era essa a melhor forma de diferenciá-las. Hina era a gêmea mais comportada, a mais educada , a mais carinhosa e a mais estudiosa. Hana era a mais travessa, a mais bagunceira, a que mais falava. Porém era muito prestativa e também tinha um dom de desenvolver ideias mirabolantes.


Enrolando mais um pouco, veremos as peripécias e confusões da Hana, da Hina e do irmão Hyuu, que tanto sofre quanto se diverte com essas encrenqueiras. Eu o narrador contarei cada aventura em pequenos capítulos que chamarei de dias. Nesses pequenos contos veremos o quanto a Hana vai longe para pregar peças na ingênua Hina. Mas nunca com más intensões, é mais porque criança não tem noção de limite para brincadeira


Dia 1- A cama molhada


Duas horas da noite. É o que marca no celular da Hana que está com o brilho no mínimo. Esse cuidado todo para não acordar sua cópia, é hora de uma pequena travessura.No maior cuidado a garotinha abre a porta do dormitório e sem fazer barulho vai até a cozinha pegar uma garrafa de água, que foi enchida na torneira. Água gelada não ia servir para seu propósito, que não era matar sua sede.

Garrafa cheia, Hana volta para o quarto para começar a brincadeira. No maior cuidado ela afasta a coberta da Hina e despeja o líquido em seu pijama, nervosa porque se repente a acordasse a missão seria fracassada. Mas Hina não acordou logo, dando tempo da Hana correr para a cama e fingir estar dormindo. Para depois rir de sua irmã que "vazou".

A menina molhada acorda sem entender o que lhe aconteceu. A última vez que ela tinha urinado a cama fazia mais de três anos. Toda envergonhada ela vai para o quarto de Hyuu pedir ajuda. Ele deve estar acordado jogando on-line com seus amigos. Sim, ele estava! Mas nenhuma partida era mais importante que suas pequenas irmãs. Rapidamente a pequena foi atendida pelo irmão.

Enquanto a pequena muda de roupa, Hyuu troca os lençóis da cama. Que estranho, eles não estavam cheirando mal. Seria xixi mesmo que os molhou? Hana não se aguentava de rir debaixo dos cobertores. Nisso, acidentalmente Hina acaba por tropeçar na garrafa de água deixada ali pela irmã. Hina não era muito de briga, mas naquele momento a raiva foi tanta que ela encheu a irmã de cascudos. Hyuu que não tinha mais nada com o assunto voltou para seu vício rindo das irmãs bobinhas.

sexta-feira, 9 de julho de 2021

Cuidados com uma pequena bem pequena

  Sábado, sete horas da manhã. Estava eu dormindo tranquilamente em meu quarto, cansado por causa do dia anterior que foi puxado, o professor quase escravizou a nós alunos. Queria eu poder ter dormido até mais tarde, mas uma pessoa em específico não me permitiu isso. Uma pequena pessoinha que logo cedo veio para me despertar... uma pessoinha fofíssima que sempre alegra minhas manhãs.


Estou me referindo à minha pequena maninha, vinda ao mundo a pouco mais de três anos, oito a menos que eu. Veio até meu quarto puxar minha coberta e atirá-la no chão. Como eu não acordei ela resolveu subir em mim e ali ficou me cutucando na bochecha, puxando minhas pálpebras e me mordendo com seus dentes afiados. Vou logo ver o que ela quer, até porque ela pesa para caramba!


Ainda atordoado pelo despertar brusco, eu a ponho no chão e desço da cama. Verifico se ela fez alguma necessidade para que eu possa limpá-la: nada, a sua fralda encontra-se seca. Então esse espetáculo todo deve ser fome. Deduzi isso pelo seu comportamento, que é igual ao que ela apresenta para com meus pais. Mas como nenhum dos dois se encontra logo ela desconta em seu pequeno irmão mais velho.


Despertei de vez, o homem da casa atual tem que esquentar a comida da pequena ali, que adoravelmente chupava o dedinho indicador da mão esquerda enquanto com a direita segurava na minha camiseta enquanto íamos para a cozinha. Se não me engano mamãe deixou sua mamadeira com mingau de arroz no microondas. Sim, estava lá! Esquento-a em vinte segundos. Está pronta, se passar desse tempo ela se recusa a comer pois fica muito quente!


Fiz meu café também e fomos comer. Minha irmãzinha foi logo se aconchegando no meu colo para mamar aquela gororoba. Ai ai, minhas pernas vão ficar dormentes em pouco tempo, estão dando fermento ou hormônio para essa menina crescer tanto? É sério, carregá-la no colo por uns minutos é tão cansativo quanto subir a ladeira de casa correndo. Sair a passeio com ela só se seu carrinho for junto.


Terminado o nosso desjejum pus ela para arrotar. Tarefa difícil para mim, tenho medo de lhe quebrar algum osso do corpo. Vixe, ela adormeceu no meu ombro... Vou deitá-la em sua caminha antes que meu ombro desloque e arrumar essa cozinha tão bagunçada quanto eu. Aproveitar esse sossego antes que a hiperativa desperte mais uma vez!


Como fica silenciosa essa casa quando os pais não estão... Seus dois filhos travessos são os que menos fazem ruído. Minha irmã pequena é muito tranquila, não costuma fazer berreiros ou gritar como fazem muitos da sua idade. Na verdade ela pouco fala, prefere ficar com o indicador na boca a maior parte do tempo.


Rapidamente concluí a limpeza e fui ligar a tv. Estava assistindo minha série preferida quando a campainha toca. Ué, o pai já chegou do seu plantão? Fui atender a porta e surpreso fiquei em ver que não era o pai. Era uma garota bonita que aparentava ter a mesma idade que eu. Se apresentou como a filha da vizinha que acabara de se mudar para a casa do outro lado da rua.


Veio dar um oi para todos da nova vizinhança e de lambuja arrumar alguns amigos para brincar. Dei-lhe as boas-vindas e me apresentei, ela também se apresentou para mim. Que bonita essa nova vizinha, porém longe de ser mais encantadora que minha maninha. Mas sei lá, essa garota despertou algo a mais que não sentia com mais nenhuma outra garota com quem eu tinha intimidade.

Convidei-a para entrar. Ofereci biscoitos e um suco de sei lá o quê que sobrou do café. Pra quê toda essa gentileza? Oras, a primeira impressão é a que fica, e eu realmente estava interessado nessa garota. Ela agradece pelo agrado e me pergunta se eu gostaria de ter sua amizade. Sorridente respondi que sim.


A garota também me pergunta se eu poderia lhe apresentar o bairro. Dessa vez a resposta foi um agora não, estava tomando conta da minha irmãzinha enquanto o pai não chega do trabalho. Nesse momento percebo que a criatura pequena está ali no canto da sala observando tudo, sempre com o dedo na boca. Ai ai ai, que fofinha minha irmãzinha é!!!!


Assim também pensou a nova vizinha, que ficou com o olhar de bobona apaixonada. Minha irmã começa a pronunciar meu nome e a apontar para a visita perguntando seu nome, com seu jeitinho vagaroso de se comunicar. Foi o suficiente para a outra vomitar arco-íris e começar a falar com a pequena com aquela voz de retardado que TODO MUNDO faz ao conversar com bebês e animais, achando que assim eles se fazem entender.


A vizinha fazia caras e bocas, e a minha maninha só gargalhava com aquele teatro... tudo bem, pois era o tipo de brincadeira que eu fazia com ela. Me entrometi no jogo e ficamos os três até a pequena não aguentar mais. Ela demonstra o desinteresse quando começa a tampar o rosto com as mãos e parte para me morder. Troquemos a atividade atual para a de rabiscar papéis.


Peguei folhas e giz de cera para começarmos a desenhar. Nesse momento a visitante pega minha preciosa no colo. Eu aviso-a que a menina é pesada. Oh! Ela está aguentando de boa!! Mas logo minha irmã começa a estranhar, empurrando seu rosto e tentando arranhá-la. A vizinha escorrega  e cai com a minha pequena no chão da sala.


Que terrível! A vizinha bateu a cabeça de jeito naquele chão duro! Mas ela felizmente estava bem e consciente. A preocupação maior era minha maninha que cortou a testa quando bateu a cabeça contra a boca da moça que a segurava. A pequena chorava de dor. Nós tentávamos acalmá-la enquanto estancava o sangue. Logo que cessou-se a hemorragia, desinfetei o ferimento e pus um curativo.


A campainha toca de novo, dessa vez é o pai. Que nem percebe a presença da jovem bonita. Vai logo me interrogando sobre o curativo na testa da filhinha dele. A vizinha confessa tudo, mas que foi sem querer. Meu velho dá uma gargalhada e conta que a pequena era assim mesmo com os estranhos, logo se acostumaria com ela. Não precisava se preocupar, até ele já quase derrubou-a. 


Dessa vez meu pai a convidou para o almoço. Estava livre para levar a nova vizinha para conhecer as redondezas. Iamos para a pracinha, quando o pai resolve também sair um pouco, levando a minha irmãzinha. No carrinho, claro! Esse que estava já nas últimas devido sua dona ser gigante para ele. Chegando na praça, as duas moças vão brincar na caixa de areia.


Eis que o pai me pergunta se aquela garota era minha namoradinha. Falei que por enquanto era só uma amiga recém-feita. Antes que eu concluísse meu pensamento a garota alerta sobre a minha irmãzinha. Dessa vez não foi uma tentativa de mordição, mas sim uma fralda que tinha que ser trocada. QUE BOM QUE O PAI TINHA CHEGADO, ELE QUE TERIA QUE A TROCAR, eu não curto muito essa função.


(Dito isso, volto eu a dar em cima da nova vizinha)

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sexta-feira, 2 de julho de 2021

Problemas de visão

  Nini era uma garota excepcional, possuia uma inteligência fora do normal. Aos 4 anos de idade já havia por conta própria aprendido a ler e escrever, e desde essa época se encantou no mundo da leitura.Jornais, livros de escola, revistas, manuais e até bulas a garota gostava de ler. Quando andava de carro lia todo outdoor que via.

 Esse era o passatempo preferido da Nini. Preferia folhear seus livros a brincar com seus amigos. Só parava quando ia fazer suas refeições, quando ia fazer suas necessidades, quando ia fazer um favor para alguém ou se ia assistir televisão. Assistir era sua segunda melhor diversão, era também o único equipamento eletrônico tecnológico mais avançado que ela utilizava.

 Sua mania era sentar bem perto, mas bem perto do aparelho para ver os programas transmitidos. Sempre tendo um dos seus responsáveis a advertindo que isso lhe faria mal para seus olhos. Mesmo assim Nini continuava perto da televisão assistindo até sua vista começar a arder e cansar. Ia cochilar para mais tarde fazer e refazer suas tarefas de casa.

 Assim que terminava com as lições pegava qualquer livro que tivesse pego emprestado da biblioteca ou que comprou em algum sebo e começava a o debulhar. Ficava até a noite viajando nas palavras, muitas vezes ia dormir tarde de tão entretida que ficava com as histórias. Terminava suas leituras já com o dia amanhecendo.

 Com essa mania dela de madrugar lendo vinha o problema da Nini ter que muitas vezes forçar seus olhos para ler no escuro. Outro motivo para a pequena levar bronca. Mas logo ela ia descobrir que os puxões de orelha eram para seu bem. Os problemas começariam na escola.

 Ao decorrer do ano escolar a garota começa a ter dificuldade para enxergar o que os professores escreviam na lousa. Passou a sentar na primeira fileira para tentar ver melhor, mas logo passou a levantar-se de sua carteira e se aproximar do quadro. Várias vezes durante as aulas. Passou a esbarrar com frequência em outras pessoas e nas paredes.

 Algo sério estava ocorrendo com Nini. Ao ser quase atropelada por não ver um veículo que vinha passando enquanto ela atravessava a rua da escola, seu professor que havia presenciado o ocorrido a chama na sala de aula para uma orientação. Foi perguntada uma série de coisas à Nini, que explicava e confirmava tudo.

 O professor da garota então lhe entrega um papel para seus responsáveis lerem. A curiosa foi ver o que estava escrito, e era algo sobre exame de visão. O que iam lhe fazer nos olhos? Seus colegas começaram a falar besteiras que aos poucos faziam ela ficar com medo. Tipo que o doutor ia furar seus olhos com um laser e os arrancaria fora para lhe pôr olhos mecânicos.

 Pronto, o desespero logo lhe bateu quando Nini entrega o bilhete para os pais. Foi combinado que no dia seguinte ela iria até a clínica acompanhada de seu irmão mais velho fazer o exame. Era para dormir cedo hoje, mas Nini estava muito temerária de que fizessem algo de ruim com seus olhinhos. Foi adormecer quase às 5 da manhã.

 Os irmãos pegam o ônibus até o centro da cidade. A pobre Nini não conseguia ver nitidamente o rosto das pessoas sentadas mais ao fundo! Eis que o veículo chega ao ponto que fica próximo de uma ótica. A garota começa com um choro escandaloso sem motivo, por causa do exame que ia fazer. O irmão pacientemente tenta acalmar Nini antes de entrarem no prédio.

 No consultório, já acalmada, o doutor senta a pequena numa cadeira e vai já pingando colírio na vista dela, que reclama que o remédio arde. Em pouco tempo sua cadeira é virada para um painél cheio de letras de diversos tamanhos, que ela teria que dizer quais via perfeitamente. Primeiro com o olho destro, depois com o olho canhoto. Pouco Nini acertou daquele painél até o médico trocar diversas vezes as lentes na frente de seu rosto... 

 Depois de mais alguns exames feitos com uma máquina computadorizada em seus olhos, seguiu o diagnóstico: nada de grave havia em sua visão fora os 5 graus de miopia em cada olho. A garota ia passar a usar óculos de grau. Foi a escolha dela porque só de pensar em cirurgia para correção já começava a tremer de medo.

 Com a receita em mãos, Nini e seu irmão vão até a parte da ótica tirar a medida para os óculos e para escolher a armação. Como a garota sabia que seu irmão amava branco, foi logo escolhendo essa cor para agradá-lo. A escolha que tinha feito combinou muito bem com ela! Estava muito bonita usando aquela armação branca como ela. 

Com o prazo de 3 dias para o término da conclusão dos óculos chegado ao fim, os dois retornam para pegar o produto. Nini fica maravilhada com o mundo que ela tinha deixado de enxergar. Ficou adimirando toda a paisagem na volta para casa. Conseguia ver os carros passando ao longe. As letrinhas da televisão estavam nítidas de novo.

 Não se levantava mais de sua carteira para decifrar as escritas do quadro. E sempre vinha um amigo perguntando sobre o exame, que ela explicou que não era como eles pensaram. A única coisa ruim era o colírio que ardia e embaçava a visão. Alguns curiosos também pediam seu óculos emprestados para testes curiosos.

 Nini tinha um novo companheiro para clarear seu olhar de garota genial. De seu rosto ele não saia nem para fazer suas lições, nem para fazer suas necessidades, nem para fazer favores, muito menos para assistir. Somente na hora de dormir Nini os retirava com medo de os quebrar. E essa hora muitas vezes vinha pela manhãzinha por causa de seu hábito impulsivo de leitura. Agora de luz acesa para agredir menos a visão!

 (As contas de energia seguintes passaram a vir mais caras, mas isso pouco importa, a saúde da Ninizinha vem em primeiro lugar!)

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Fatos pouco relevantes pós-história:

1- A Nini da visão míope tem 8 aninhos.

2- Seu irmão mais velho tem 16, sua mãe 32 e seu pai 40.

3- Nini frequenta o 3º ano do ensino fundamental em uma escola pública.

4- Nini consegue ler um jornal inteiro em 20 minutos ou menos.

5- Nini é ambidestra, mas prefere usar mais a mão direita para escrever.

6- Antes do exame ela já entrou na sala de aula errada 3 vezes.

7- Nini ia quase tirando sua camiseta quando foi fazer o exame de visão, pois pensava que seria exame físico igual o da escola.

8- O professor da Nini também tem miopia, mas apenas de 2,5 graus.

9- Nini tem um guarda roupa com 95% das roupas brancas. Apenas algumas calcinhas dela são listradas em azul e preto, e seu uniforme escolar tem a saia vermelha.

10- O verdadeiro nome da Nini é Michieli. Seu apelido até entar na escola era Mimi, ela mudou porque achava esse muito feio.

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