segunda-feira, 8 de março de 2021

A garota e o irmão carinhoso

Eram 4 horas da madrugada. Não lembro bem qual era o dia da semana pois era período de férias, época que eu ignoro todas as responsabilidades com datas e horários. Estava fazendo um frio de doer na pele e chovia torrencialmente, com o vento soprando tudo lá fora violentamente. O suficiente para tirar para fora do poste o fio da eletricidade. Prontamente a luz acaba e tudo fica escuro, tenho que pegar a lanterna para procurar no guarda-roupa por mais cobertores pois naquelas condições o aquecedor não me serviria.

Eis que de repente ouço baterem a porta do meu quarto. Primeiro batidas bem fracas e quase inaudíveis, depois pancadas como se fossem derrubar a porta. Melhor eu conferir quem é logo. Estava lá, em pé, vestindo um pijama mal abotoado, com o rosto corado e cara de quem vai começar a chorar em breve, minha pequena e adorável irmãzinha. Ela entra no meu habitat natural e elevando seu rosto para olhar-me cara a cara começa a falar com sua voz doce e melosa:

-Maninho, posso dormir com você? Estou com muito medo de dormir sozinha no meu quarto escuro. E também está muito frio...

E aí, o que farei? Aceito ou recuso a oferta dessa pequena dama? Bom, antes que meu retardo mental pudesse raciocinar direito ela já estava se aninhando na minha cama e se ajeitando para ninar. Após um "obrigada" seguido de um sorriso encantador e sonolento, vagarosamente ela fecha seus olhinhos ramelentos e começa a dormir quase que de imediato o sono mais profundo.

Ah, deixa quieto, por quer vou deixar sozinha minha pequena que tanto amo fraternalmente? Logo depois dela ter pedido com tanto charme, na maior sinceridade e inocencia, não tenho porque recusar. Como irmão mais velho, meu instinto protetor falou mais alto. Vou deitar também, afinal ainda estou cansado e também está frio para caramba fora das cobertas. Misericórdia, só falta nevar! 

Ufa, finalmente estou aqui no quentinho da cama acompanhado do meu pequeno amorzinho. Por um instante começo a me lembrar dos memes da rede social e fico com a impressão de que a qualquer momento a polícia do país mais rico do mundo vai vir com um exército e tanques de guerra derrubando a casa para me levar preso. Mas logo volto a prestar atenção na fofinha dormindo comigo.

Olha só, tem um rio de saliva saindo da boca dela bem pelo buraco onde está nascendo um dente de leite. E como ronca! Mas seu ronco é uma melodia celestial comparado ao escândalo da dupla tempestade e ventania. Que falta tive nessa hora de ter o celular carregado para registrar digitalmente aquele momento único e mais satisfatório que descascar mexerica com faca. O jeito é aproveitar como dá.

Quatro e vinte, a chuva começa a piorar. E acho eu que minha pequena irmã percebe isso. Digo isso porque ela pressionava com força uma de suas mãozinhas contra o ouvido que não estava apoiado na cama. A outra mão segurava meu braço e o puxava com bastante insistência contra o corpo dela. Como é macio!! Essa é a sensação do paraíso? Sou o rapaz mais feliz do mundo!

Quatro e meia, não sei porque estou perdendo tempo olhando as horas mas tanto faz, começa um show de luzes no céu. Invasão extraterrestre? Não! Armagedom? Menos! Uma chuva de fogos de artifícios? Tampouco! Eram os relâmpagos cortando o horizonte. Acompanhados de trovões cada vez mais altos, bastando pouco depois até que os raios caíssem tão próximo de casa que parecia plena tarde tamanho o clarão.

E bem no meu ouvido um grito fino, estridente, fora ecoado logo após a explosão sonora da chuva. Seguido de uma enxurrada em cima da cama. Que molhadeira era essa, o telhado não tem goteira! Descobri assim que o cheiro forte subiu pelo quarto e vi a pobre com a parte de baixo do pijama ensopada. Não com baba, mas com urina.

Seu rosto branco começou a ficar vermelho. Agora são os olhos que começam a expulsar água. Começou a chorar e soluçar initerruptamente. Parecia ter cometido um crime imperdoável. Entre uma assoada de nariz e outra ela tentava se explicar e pedir mil desculpas, inclusive se ajoelhando no chão.

-Me perdoa, desculpa, sinto muito, eu não fiz de propósito, eu juro que foi sem querer, eu já sou grandinha e não deveria ter mijado na cama, mas eu fiquei muito assustada e deixei escapar. Por favor,não me odeie por causa disso, não vou fazer de novo. Qual vai ser minha punição? Pode me bater com força, eu mereço ser castigada por ter sido uma garota má!

Nossa! Desde quando ela aprendeu a formar frases tão complexas? Ignorando esse discurso comovente de lado, não me vejo em condições de fazer tamanha maldade com minha fofa. Tão somente a peguei no colo e comecei a afagar sua cabeças cheia de cabelos despenteados pouco me importando de me molhar ainda mais de xixi.

Ela deve estar bastante  assustada, sentia seu coração bater muito rapidamente debaixo daquela pequena montanha de pele tamanho pp. Sugeri que deixasse para lá a surra e que me ajudasse a pôr aqueles panos molhados para lavar e também tomássemos banhos para tirar o mal cheiro da água inesperada. Maldito blecaute, tenho que esquentar água para tomarmos banho, água gelada nesse frio é de lascar!

Roupa posta na máquina e água quente na banheira,  chamo minha irmã para se lavar primeiro! Eis que ela faz a sugestão de que tomemos banho juntos! Só pode ser piada!! Ela usava da sua manha para me convencer, argumentando que não queria acordar os pais para dar banho nela e que sozinha no escuro não daria! Escuro uma ova, tinha umas 20 velas no cômodo. Cadê todo aquele discurso de ser uma mocinha independente?

Enfim, como não consigo recusar os pedidos dessa sapeca e como também não me importo se o leitor aqui me achar um pervertido escroto pois não tem como provar, entramos os dois na banheira. Munido de sabonete e esponja, começo a esfregação no seu corpo alvo quase albino, admirando minha anja gargalhando com cada passada da esponja. Faz tanta cócega assim? Bem, é hora de lavar a cabeleira dela. Que xampu cheiroso!

Nós dois limpos, é hora de trocar de roupa. Primeiro fomos ao quarto dela para pegar suas vestimentas. O escolhido foi uma camiseta branca e uma calcinha listrada. Por que só isso? -Porque o banho já me deixou quentinha e porque o resto do calor eu consigo dormindo junto do meu maninho!

Ok, me pegou de jeito, me rendo de novo. Até porque ela fica uma gracinha usando listrinhas! Coloquei minha roupa de frio e voltamos pra cama, já com outros lençóis, limpos. Agora debaixo das cobertas um cheiro bem mais agradável e doce. Já quase voltando a dormir sinto os lábios da minha queridinha encostando em minha bochecha e a seguinte frase, a melhor dessa madrugada:

-IRMAOZÃO, EU TE AMO!

A próxima hora não consegui dormir de tanta emoção e alegria...quando dei por mim já eram seis da manhã e a chuva já tinha abrandado. O sol brilhava e minha maninha pedia para acordar, e irmos juntos para a escola. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

POSTAGEM FAVORITA DA GALERA