sábado, 13 de março de 2021

As aventuras da irmãzinha que teve problemas

 Enrich e Giulia. Dois irmãos muito unidos. Moravam juntos em um apartamento no centro da cidade. Somente os dois, pois seus pais meio que fugiram de casa, deixando a irmã menor na guarda do irmão mais velho. Tudo porque a garota Giulia tinha problemas neurológicos e também foi diagnosticada com diabetes. Seus responsáveis achavam que era muito trabalho cuidar de uma filha tão problemática, o desgosto por ela era tão grande que cogitaram abanoná-la em qualquer rua deserta.

  Quem discordou disso tudo foi Enrich. Não iria permitir que seus pais fizessem essa maldade com uma garota inocente que não tinha culpa de ter tais deficiências. Os pais não tinham o mínimo de paciência, logo então enquanto os filhos dormiam partiram levando seus pertences e também todo o dinheiro guardado, deixando os dois desamparados. Já que ele gostava tanto daquela "doente mental", que se vire para cuidar dela.

  Mas os dois não estavam desamparados. Como Enrich tinha que ficar o tempo todo cuidando da pequena irmãzinha e não podia trabalhar, uma tia generosamente dava dinheiro todo mês para as despesas que geravam. Essa mesma tia queria que os irmãos viessem morar com ela, porém o rapaz não queria incomodar ninguém, e preferia o apartamento onde fora criado com sua irmã, era confortável e mantinha a privacidade deles.

  24 horas por dia estava o rapaz cuidando da Giulia. Passou a estudar em casa para poder ficar atento o tempo todo com a garota. Não acreditava que as orientadoras da creche teriam mais capacidade que ele para dar atenção à ela... pois do nada ela poderia fazer algo que pusesse ela em risco. Se não prestassem atenção em um instante ela poderia enfiar um garfo na tomada, ou colocar uma sacola na cabeça e se sufocar, ou comer a própria sacola. Mesmo com 13 anos a mente dela às vezes funcionava como se ela tivesse 3.

  Com certeza os pais tinham razão em dizer que a garota dava muito trabalho. Mas o amor de Enrich pela Giulia era mais forte que qualquer dificuldade que lhe atravessasse o caminho. Seja dando banho na garota, arrumando-a, brincando com ela, dando remédios ou fazendo as comidas de regime dela, tudo era sempre com um sorriso no rosto e um quentinho no coração. Todo esse cuidado era retribuído pela menina com beijos, abraços e palavras carinhosas que às vezes ela lembrava.

  Certo dia estavam os dois assistindo tv, até que Enrich vai checar as horas. Eram 11 da manhã. Precisava preparar o almoço o quanto antes, Giulia não podia ficar muito tempo sem comer por causa do diabetes. Aproveitou que a mesma encontrava-se adormecida no sofá e foi preparar as refeições. Colocou as panelas no fogo, fez o que tinha para fazer na cozinha e foi esperar o cozimento dos alimntos. Catou um cobertor no armário para cobrir a Giulia, que aparentava tremer de frio, e encostou no sofá para voltar a assistir a tv. Minutos depois Enrich tinha adormecido também.

  Enquanto o rapaz dormia a garota despertava. Meio atordoada, ela levanta e vai para a cozinha pegar sua garrafinha de água. Consumiu-a quase toda, estava com muita sede! E também estava faminta, pois comeu todas as uvas da fruteira. E eis que a pequena Giulia vê que a porta do fundo da casa aberta. A curiosidade estava chamando-a para sair para a rua. E após ela colocar uma boina azul na cabeça foi descendo as escadas e tomou direção rumo à rua.

  Giulia andou, andou e andou... foi parar numa doceria bem distante da sua casa. Estava suada e cansada. Sem nem pensar ela adentra o estabelecimento e com sede começa a pedir água. Bebeu metade da garrafa de 2 litros que oferecereu à ela o dono da doceria. De repente a garota começa a querer tirar o vestido dela ali em público, pois reclamava de calor. O moço oferece o banheiro dos fundos para a Giulia se refrescar. Ela toma a ducha e veste-se novamnte.

  Sentada em uma cadeira da doceria alguns clientes ali começaram a oferecer para a garota todo tipo de guloseima açucarada para ela comer. E ela sempre negando, dizendo que não podia, que usava "suli", mas acabou cedendo. Os bolos e doces bonitamente decorados faziam seu estômago roncar de fome. Ela comeu uma grande quantidade daquelas gostosuras, agradeceu e se despediu das pessoas ali presentes. Esquecendo de vestir sua boina.

  Em paralelo à esse acontecimento, Enrich acordava às pressas porque sente o cheiro de comida queimando. Às pressas ele apaga o fogão e coloca a comida queimada na pia. Que azar, ele teria que sair para comprar comida fresca, não ia oferecer coisas não saudáveis para a Giulia comer. Era hora de acordar a pequena e levá-la consigo para que ela não corra o risco de se acidentar sozinha em casa,não se sabe o que poderia passar na sua mente.

  Mas ao procurar pela casa toda, Enrich notou que a pequena Giulia não se encontrava. Ao ver que a porta de trás estava aberta, bateu-lhe logo um desespero. Onde será que a garota foi parar? Ele desce as escadas rapidamente e parte à procura da sua preciosa irmã, que era a pessoa que ele mais amava no mundo todo. Temia que algo de ruim tivesse acontecido à ela.  

  Giulia encontrava-se perto de uma delegacia. Andava lentamente pela calçada em zigue-zague, visivelmente sofrendo com tontura causada pela glicose alta e o calor das 14 horas. Chegando mais perto do prédio um soldado de plantão avista a garota passando mal, ao tentar socorrê-la a menina reclama de vista escurecida e a cabeça está rodando. E em seguida desmaia no colo do rapaz que logo a põe na viatura e a leva para a emergência.

 Enrich chega na doceria onde sua irmã tinha passado mais cedo perguntando sobre a Giulia. Ele é informado pelo dono que a garota tinha passado lá e consumiu um litro de água, além de ter tomado uma ducha e comeu alguns doces. Esqueceu até uma boina azul em cima da mesa. Pronto! O nervosismo aumentou. Agradeceu ao moço, pegou a boina da menina e foi em direção aos prontos socorros mais próximos onde ela pudesse estar internada.

  Deu sorte! No primeiro hospital ele encontra o policial junto da sua irmã que estava sentada numa cadeira com o braço imobilizado, tomando soro na veia. Como ele agradeceu àquele soldado! Aquela menina era tudo que lhe restou, se tivesse acontecido algo de grave com a Giulia ele não iria se perdoar pelo descuido dele. Era sua responsabilidade. Era sua vida. Seu tudo!

  Enrich pegou os documentos dele, da garota, os receituários dela e os apresentou para o doutor. Já foram tirando a pressão da menina e espetando seu dedinho. A pressão da Giulia estava normal, porém como era de se esperar a taxa de glicose estava muito alta. Já chegava a enfermeira com uma seringa para espetar seu braço. "Suli"? Sim, era a dose de insulina que a jovem ainda não tinha tomado. Já medicada foi repousar no colo do irmão enquanto sua glicose baixava.

 Já com o sol se pondo Giulia recebe alta da emergência, e Enrich uma bronca dos doutores pois a garota poderia ter morrido. Prometeu ele que nunca mais isso ia acontecer. A menina é carregada no colo até em casa pelo irmão atencioso, e chegam bem na hora dela tomar seus remédios para a cabeça. Estão famintos, mas não tem comida em casa. Assim pensavam, quando na residência estava a tia dos jovens que tinha preparado um jantar delicioso para seus sobrinhos.

  Mas porque ela estava ali? Ela acaso sabia o que havia ocorrido com ele e a Giulia? Não, a tia estava lá para dar a notícia que conseguiu um laudo e aposentou a pequena sobrinha! Era um dinheiro a mais para lhes dar alívio e conforto para a vida deles. E aproveitou para fazer a janta já que provavelmente o Enrich teve que sair com a irmã para ser socorrida no hospital. Foi isso, mais ou menos, que aconteceu.

  A tia já no dia seguinte tinha ido embora pois tinha que ir trabalhar. E já com o dinheiro a mais Enrich resolve compensar Giulia com vários mimos, levando ela num passeio divertido no parque de diversões. Com uma lancheira lotada de comidas apropriadas para ela. Levou também a bolsa térmica com as seringas de "suli" para quando fosse necessário. Tudo pelo bem da pequena Giulia, que nunca mais abriu uma porta na casa. Os cadeados pesados só sairiam das portas quando o seu irmão Enrich saísse com ela. Sem ela, jamais!!

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