segunda-feira, 22 de março de 2021

A viciada do fliperama

   A história de agora se passa numa sexta-feira quente. A protagonista é uma bela garota de 10 anos de idade,estudiosa porém preguiçosa. Tanto é que sempre seu pai tinha que vir acordá-la, nenhum despertador dava conta do serviço, muitos já foram destruídos por ela.

  O pai chega no quarto escuro, abre as janelas daquele lugar bagunçado e começa a sacudir sua filha de leve para que ela desperte. Assim que ela desperta recebe a notícia que ainda tem um dia de aula na semana, começa a resmungar e chiar dizendo que não quer ir hoje, que está cansada e outras besteiras. Não teve jeito, seu responsável não ia a deixar faltar porque ela não estava nem doente nem machucada.

  Como não teve negociação, a menina no mesmo instante toca a se arrumar para as aulas, com a maior cara de desprezo que uma pré-adolescente podia exibir. Foi desjejuar seu prato de mingau de arroz e seu copo de suco. E sempre retrucando o porque de todo dia ter que frequentar um lugar cheio de gente chata, barulhenta e que toda vez estão atrás dela para ajudar em tarefas escolares muitas vezes fáceis.

  Seu pai sempre paciente conversando com ela tentava convencê-la sobre a importância de se estudar para se tornar uma cidadã de bem, responsável e para ter uma chance maior de ter uma boa profissão. Seria o orgulho dele.

  De barriga cheia e bênção dada pelo progenitor, a garota pega a bicicleta, coloca no seu rosto seus óculos de grau  e ruma para a escola. A meio caminho ela tem uma ideia de gênio: matar aula! Sim, faltar uma sexta só não poderia ser tão ruim assim, e ninguém iria a incomodar perguntando besteiras. Também nem era dia de avaliações tampouco apresentação de trabalho ou educação física. Inclusive ela tinha folhas de atestado médico com assinaturas que ela mesmo conseguiu falsificar caso fosse necessário.

  Pegou um desvio e foi direto para a avenida do outro lado da cidade, onde tinha várias lojas e comércios diversos para passar as 6 horas que passaria com seus colegas de classe. Ela passeou por bancas de revistas, lojas de roupa, de eletrônicos e até um filme ela cogitou ver, mas apenas tinha o dinheiro para comprar o lanche de hoje.

  Dinheiro esse que não duraria muito, porque entre uma pedalada e outra surge na sua andança um estabelecimento com algumas máquinas de jogos. Algo que ela realmente gostava! Muito melhor que regra de três ou literatura. Estacionou a bicicleta no canto da parede, amarrou-a com a corrente e adentrou no recinto que era um misto de bar com casa de divesão.

  Mas não havia nenhum cliente lá bebendo ou consumindo algo. Só havia o dono do bar e a menina, que chegou no balcão e despejou no balcão a grana da merenda a troco de 20 fichas de fliperama. Ao ser indagada pelo senhor porque ela não estava na escola, logo lhe foi dito que hoje largaram cedo.

  Com o bolso da camisa cheio, passou vários minutos se divertindo naquelas enormes caixas de tubo coloridas e piscantes, mais barulhentas que sua sala de aula. Refletia-se em suas lentes a diversão que há muito tempo o colégio lhe tomava com fórmulas e equações.

  Tudo bom, tudo legal, até chegar no local um grupo de três garotos aparentando ter entre doze e catorze anos. Aparentemente fugidos da escola também. Se aproximaram da máquina de jogo onde se encontrava a matadora de aula e começaram a encará-la. Ela começou a se irritar e perguntar o que eles queriam dela.

  O pedido do maior da turma era pra que ela se retirasse dali porque queria jogar com seus amigos.Ela nega, retrucando que ali haviam mais dois arcades e naquele ela chegou primeiro, e também eles não mandavam ali. O garoto já nervoso com ela fala que não estava nem aí, que era naquele gabinete que eles iam jogar e ponto, não seria uma menina que impediria ele de fazer sua vontade e a dos seus dois companheiros.

  A garota nega novamente e empurra o valentão para longe da máquina. Péssima decisão. O cara se levanta irado, ordenando aos seus capangas que a segurassem pelos braços, ordem instantaneamente obedecida. Depois da menina ser imobilizada começou uma sessão covarde e cruel de espancamento: o primeiro soco no rosto fez seu óculos voar longe. O segundo abriu um corte na testa. Depois foram mais alguns no abdômen e chute nas canelas.

  A pobre garota só podia se defender deles na mordida (até levar um murro na boca e perder um dente). Quando chega de lá de dentro do boteco o dono que ao ver a situação corre para apartar a briga. Os garotos se evadem do local às gargalhadas. O senhor do bar sem ter como ralhar com os pivetes se atentou a socorrer sua pequena cliente, estancando-lhe o sangue da sua testa e lhe colocando um monte de curativos e esparadrapos.

  Ela agradeceu e disse que ia embora para casa. O senhor disse que se ela quisesse poderia voltar depois para gastar as fichas restantes. A mocinha apanha o óculos, limpa com a beira da farda, recolhe sua bicicleta e sai arrastando-a até em casa. Não aguentava pilotar devido à dor que sentia.

  Já em casa ela encosta seu transporte no muro e entra em casa, aonde encontrava seu velho com cara de sério. Já havia descoberto que sua filhinha tinha faltado, numa ligação feita pelo diretor a perguntar pela aluna. Ele começa a questionar a moça sobre o porquê da roupa amassada e suja, o rosto todo machucado e todos os arranhões.

  Com a cara vermelha de vergonha, ela começa a confessar o ato e visivelmente arrependida jura que nunca mais mataria aula para jogar ou ficar vagabundeando pela cidade.O pai a perdoou, todavia ela passou o dia seguinte de castigo por ter sido desobediente. Tanto faz, com o monte de machucados mal podia se mexer.

  A partir daquele dia, até ela se formar na universidade, nunca mais ela faltou um dia sequer. Até passou a dormir mais cedo e acordar na hora. Para o orgulho de seu pai ela tinha se tornado uma pessoa de bem, responsável. E realizou um sonho que ela tinha desde seus preguiçosos 10 anos: ser gerente de  um café com máquinas de jogos, que ela amava tanto... mas dessa vez sem ter que apanhar de valentão!

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