quarta-feira, 31 de março de 2021
domingo, 28 de março de 2021
sábado, 27 de março de 2021
sexta-feira, 26 de março de 2021
A garota e o rio
Era cedo de manhã, bem cedo, o sol acabara de nascer. Nayume, estudante do ensino fundamental que não acostumava acordar tão cedo já estava despertada por causa de um pesadelo que teve nessa madrugada, e não conseguia dormir mais. Logo tratou de fazer seu desjejum pois estava faminta.
Muito tempo faltava para ir à escola. Resolveu então ligar a tv para assistir um pouco. Que tv? Lembrara ela que o aparelho estava no conserto. Assim nem seu console ela poderia jogar. Mesmo que sua família fosse de classe média havia apenas um televisor na residência.
Que tal mexer no computador do irmão? Melhor não, ela poderia levar um cascudo dele. Música nem pensar, ia acordar a casa toda. Celular? Descarregado! Até as tarefas já estavam todas feitas. Oras, vamos pra escola então, é o jeito.
Manhãzinha fria, ela põe a roupa da escola e o casaco e partiu. A rua estava escura e deserta, estava muito nublado, dava para se ouvir a brisa batendo nos galhos das árvores frutíferas. Como Nayume queria subir naquelas goiabeiras para pegar frutas! Se conteve porque o ato ia lhe sujar as roupas e não queria chegar toda sujinha no colégio.
A moça tinha tempo de sobra. Resolveu portanto pegar um caminho alternativo: por trás da rua da escola onde passava um rio com águas cristalinas, mais limpas que as águas que saíam das torneiras das casas. Se via ao longe os peixes pulando! Um belo pedaço de natureza encrustada no cantinho daquela cidade.
Correntezas à parte, o rio coincidentemente desemborcava numa pequena lagoa atrás da escola, coisa que Nayume nunca havia percebido. Pudera, o caminho de sempre era sempre pela frente, atravessando ruas movimentadas e barulhentas. Bem diferente de hoje que pouco se ouvia tão cedo.
Como aquela menina adorava água! Sempre que ia à praia com a família fazia birra para não sair do mar. Ficava toda enrrugada e vermelha do sol (não gostava de usar protetor solar). Sua mãe até a matriculou nas aulas de natação na piscina do clube que ela era sócia. Começava a esquentar à medida que ia amanhecendo mais e a neblina passou.
Nayume resolve então dar uns mergulhos na água até dar a hora da aula. Ela tira sua farda e casaco e os coloca na mochila para não molhar. Partiu só com sua roupa de baixo para dentro da água ainda gelada, nem se tocando que sua lingerie branca transparecia ao ser molhada. Foram 20 minutos de diversão aquática até que de longe ela sentiu uma presença.
Era seu professor que olhava-a com a maior cara de desprezo. Num instante ele chama a atenção de Nayume que com espanto pula de dentro da água rasa e se enrola numa toalha que ela havia preparado de antemão para se enxugar. Antes que ela pudesse se vestir seu educador a agarra pelo braço e a leva até a diretoria, para pegar um papel de suspensão, só entraria com os pais.
Que absurdo! Não havia motivo plausível para aquilo, já que ela não estava matando aula, nem era hora, e também que mal fazia tomar banho de rio? Nayume resmungando pegou a suspensão e retornou para a casa dela. Ao ver que seu pai estava de folga do serviço logo ela explica o que lhe ocorreu e entrega-lhe a folha para ser assinada. Quase que de imediato ele pega a filha na mão e volta com ela até a escola.
Lá ele conhece o professor que tinha suspenso Nayume injustamente, e lhe dá o maior sermão. O professor fica sem jeito mas como o pai da aluna tinha vindo a garota pôde assistir às aulas normalmente. Mesmo que já tivesse perdido duas delas. Tempos depois a direção da escola foi informada da situação constrangedora à qual a aluna foi submetida, e resolveram afastar o responsável pelo incidente.
Mas também sobrou para Nayume: pensando novamente em madrugar para aproveitar o banho de rio (dessa vez usando o maiô das aulas de natação), viu que da noite pro dia aquele local fora cercado com arame farpado e eletrizado!! Que ódio sentiu ela naquele momento! Foi para a sala toda cheia de desgosto esperar o professor subistituto que estrearia hoje. Outro dia de aula chegado ao fim, hora de voltar ao lar.
Nayume ficou surpresa ao chegar: estava lá montada no quintal uma piscina inflável gigante que seus pais haviam comprado para ela! O desgosto na hora virou felicidade refletida em seus olhos. Depois de agradecer bastante foi logo atirando a farda no chão e foi aproveitar a piscina nova, somente de lingerie de novo (dessa vez um conjunto azul claro) e lá ficou até a hora da janta. Nem deu bola para a televisão que voltara aquele dia do conserto.
quinta-feira, 25 de março de 2021
quarta-feira, 24 de março de 2021
terça-feira, 23 de março de 2021
segunda-feira, 22 de março de 2021
A viciada do fliperama
A história de agora se passa numa sexta-feira quente. A protagonista é uma bela garota de 10 anos de idade,estudiosa porém preguiçosa. Tanto é que sempre seu pai tinha que vir acordá-la, nenhum despertador dava conta do serviço, muitos já foram destruídos por ela.
O pai chega no quarto escuro, abre as janelas daquele lugar bagunçado e começa a sacudir sua filha de leve para que ela desperte. Assim que ela desperta recebe a notícia que ainda tem um dia de aula na semana, começa a resmungar e chiar dizendo que não quer ir hoje, que está cansada e outras besteiras. Não teve jeito, seu responsável não ia a deixar faltar porque ela não estava nem doente nem machucada.
Como não teve negociação, a menina no mesmo instante toca a se arrumar para as aulas, com a maior cara de desprezo que uma pré-adolescente podia exibir. Foi desjejuar seu prato de mingau de arroz e seu copo de suco. E sempre retrucando o porque de todo dia ter que frequentar um lugar cheio de gente chata, barulhenta e que toda vez estão atrás dela para ajudar em tarefas escolares muitas vezes fáceis.
Seu pai sempre paciente conversando com ela tentava convencê-la sobre a importância de se estudar para se tornar uma cidadã de bem, responsável e para ter uma chance maior de ter uma boa profissão. Seria o orgulho dele.
De barriga cheia e bênção dada pelo progenitor, a garota pega a bicicleta, coloca no seu rosto seus óculos de grau e ruma para a escola. A meio caminho ela tem uma ideia de gênio: matar aula! Sim, faltar uma sexta só não poderia ser tão ruim assim, e ninguém iria a incomodar perguntando besteiras. Também nem era dia de avaliações tampouco apresentação de trabalho ou educação física. Inclusive ela tinha folhas de atestado médico com assinaturas que ela mesmo conseguiu falsificar caso fosse necessário.
Pegou um desvio e foi direto para a avenida do outro lado da cidade, onde tinha várias lojas e comércios diversos para passar as 6 horas que passaria com seus colegas de classe. Ela passeou por bancas de revistas, lojas de roupa, de eletrônicos e até um filme ela cogitou ver, mas apenas tinha o dinheiro para comprar o lanche de hoje.
Dinheiro esse que não duraria muito, porque entre uma pedalada e outra surge na sua andança um estabelecimento com algumas máquinas de jogos. Algo que ela realmente gostava! Muito melhor que regra de três ou literatura. Estacionou a bicicleta no canto da parede, amarrou-a com a corrente e adentrou no recinto que era um misto de bar com casa de divesão.
Mas não havia nenhum cliente lá bebendo ou consumindo algo. Só havia o dono do bar e a menina, que chegou no balcão e despejou no balcão a grana da merenda a troco de 20 fichas de fliperama. Ao ser indagada pelo senhor porque ela não estava na escola, logo lhe foi dito que hoje largaram cedo.
Com o bolso da camisa cheio, passou vários minutos se divertindo naquelas enormes caixas de tubo coloridas e piscantes, mais barulhentas que sua sala de aula. Refletia-se em suas lentes a diversão que há muito tempo o colégio lhe tomava com fórmulas e equações.
Tudo bom, tudo legal, até chegar no local um grupo de três garotos aparentando ter entre doze e catorze anos. Aparentemente fugidos da escola também. Se aproximaram da máquina de jogo onde se encontrava a matadora de aula e começaram a encará-la. Ela começou a se irritar e perguntar o que eles queriam dela.
O pedido do maior da turma era pra que ela se retirasse dali porque queria jogar com seus amigos.Ela nega, retrucando que ali haviam mais dois arcades e naquele ela chegou primeiro, e também eles não mandavam ali. O garoto já nervoso com ela fala que não estava nem aí, que era naquele gabinete que eles iam jogar e ponto, não seria uma menina que impediria ele de fazer sua vontade e a dos seus dois companheiros.
A garota nega novamente e empurra o valentão para longe da máquina. Péssima decisão. O cara se levanta irado, ordenando aos seus capangas que a segurassem pelos braços, ordem instantaneamente obedecida. Depois da menina ser imobilizada começou uma sessão covarde e cruel de espancamento: o primeiro soco no rosto fez seu óculos voar longe. O segundo abriu um corte na testa. Depois foram mais alguns no abdômen e chute nas canelas.
A pobre garota só podia se defender deles na mordida (até levar um murro na boca e perder um dente). Quando chega de lá de dentro do boteco o dono que ao ver a situação corre para apartar a briga. Os garotos se evadem do local às gargalhadas. O senhor do bar sem ter como ralhar com os pivetes se atentou a socorrer sua pequena cliente, estancando-lhe o sangue da sua testa e lhe colocando um monte de curativos e esparadrapos.
Ela agradeceu e disse que ia embora para casa. O senhor disse que se ela quisesse poderia voltar depois para gastar as fichas restantes. A mocinha apanha o óculos, limpa com a beira da farda, recolhe sua bicicleta e sai arrastando-a até em casa. Não aguentava pilotar devido à dor que sentia.
Já em casa ela encosta seu transporte no muro e entra em casa, aonde encontrava seu velho com cara de sério. Já havia descoberto que sua filhinha tinha faltado, numa ligação feita pelo diretor a perguntar pela aluna. Ele começa a questionar a moça sobre o porquê da roupa amassada e suja, o rosto todo machucado e todos os arranhões.
Com a cara vermelha de vergonha, ela começa a confessar o ato e visivelmente arrependida jura que nunca mais mataria aula para jogar ou ficar vagabundeando pela cidade.O pai a perdoou, todavia ela passou o dia seguinte de castigo por ter sido desobediente. Tanto faz, com o monte de machucados mal podia se mexer.
A partir daquele dia, até ela se formar na universidade, nunca mais ela faltou um dia sequer. Até passou a dormir mais cedo e acordar na hora. Para o orgulho de seu pai ela tinha se tornado uma pessoa de bem, responsável. E realizou um sonho que ela tinha desde seus preguiçosos 10 anos: ser gerente de um café com máquinas de jogos, que ela amava tanto... mas dessa vez sem ter que apanhar de valentão!
sexta-feira, 19 de março de 2021
sábado, 13 de março de 2021
As aventuras da irmãzinha que teve problemas
Enrich e Giulia. Dois irmãos muito unidos. Moravam juntos em um apartamento no centro da cidade. Somente os dois, pois seus pais meio que fugiram de casa, deixando a irmã menor na guarda do irmão mais velho. Tudo porque a garota Giulia tinha problemas neurológicos e também foi diagnosticada com diabetes. Seus responsáveis achavam que era muito trabalho cuidar de uma filha tão problemática, o desgosto por ela era tão grande que cogitaram abanoná-la em qualquer rua deserta.
Quem discordou disso tudo foi Enrich. Não iria permitir que seus pais fizessem essa maldade com uma garota inocente que não tinha culpa de ter tais deficiências. Os pais não tinham o mínimo de paciência, logo então enquanto os filhos dormiam partiram levando seus pertences e também todo o dinheiro guardado, deixando os dois desamparados. Já que ele gostava tanto daquela "doente mental", que se vire para cuidar dela.
Mas os dois não estavam desamparados. Como Enrich tinha que ficar o tempo todo cuidando da pequena irmãzinha e não podia trabalhar, uma tia generosamente dava dinheiro todo mês para as despesas que geravam. Essa mesma tia queria que os irmãos viessem morar com ela, porém o rapaz não queria incomodar ninguém, e preferia o apartamento onde fora criado com sua irmã, era confortável e mantinha a privacidade deles.
24 horas por dia estava o rapaz cuidando da Giulia. Passou a estudar em casa para poder ficar atento o tempo todo com a garota. Não acreditava que as orientadoras da creche teriam mais capacidade que ele para dar atenção à ela... pois do nada ela poderia fazer algo que pusesse ela em risco. Se não prestassem atenção em um instante ela poderia enfiar um garfo na tomada, ou colocar uma sacola na cabeça e se sufocar, ou comer a própria sacola. Mesmo com 13 anos a mente dela às vezes funcionava como se ela tivesse 3.
Com certeza os pais tinham razão em dizer que a garota dava muito trabalho. Mas o amor de Enrich pela Giulia era mais forte que qualquer dificuldade que lhe atravessasse o caminho. Seja dando banho na garota, arrumando-a, brincando com ela, dando remédios ou fazendo as comidas de regime dela, tudo era sempre com um sorriso no rosto e um quentinho no coração. Todo esse cuidado era retribuído pela menina com beijos, abraços e palavras carinhosas que às vezes ela lembrava.
Certo dia estavam os dois assistindo tv, até que Enrich vai checar as horas. Eram 11 da manhã. Precisava preparar o almoço o quanto antes, Giulia não podia ficar muito tempo sem comer por causa do diabetes. Aproveitou que a mesma encontrava-se adormecida no sofá e foi preparar as refeições. Colocou as panelas no fogo, fez o que tinha para fazer na cozinha e foi esperar o cozimento dos alimntos. Catou um cobertor no armário para cobrir a Giulia, que aparentava tremer de frio, e encostou no sofá para voltar a assistir a tv. Minutos depois Enrich tinha adormecido também.
Enquanto o rapaz dormia a garota despertava. Meio atordoada, ela levanta e vai para a cozinha pegar sua garrafinha de água. Consumiu-a quase toda, estava com muita sede! E também estava faminta, pois comeu todas as uvas da fruteira. E eis que a pequena Giulia vê que a porta do fundo da casa aberta. A curiosidade estava chamando-a para sair para a rua. E após ela colocar uma boina azul na cabeça foi descendo as escadas e tomou direção rumo à rua.
Giulia andou, andou e andou... foi parar numa doceria bem distante da sua casa. Estava suada e cansada. Sem nem pensar ela adentra o estabelecimento e com sede começa a pedir água. Bebeu metade da garrafa de 2 litros que oferecereu à ela o dono da doceria. De repente a garota começa a querer tirar o vestido dela ali em público, pois reclamava de calor. O moço oferece o banheiro dos fundos para a Giulia se refrescar. Ela toma a ducha e veste-se novamnte.
Sentada em uma cadeira da doceria alguns clientes ali começaram a oferecer para a garota todo tipo de guloseima açucarada para ela comer. E ela sempre negando, dizendo que não podia, que usava "suli", mas acabou cedendo. Os bolos e doces bonitamente decorados faziam seu estômago roncar de fome. Ela comeu uma grande quantidade daquelas gostosuras, agradeceu e se despediu das pessoas ali presentes. Esquecendo de vestir sua boina.
Em paralelo à esse acontecimento, Enrich acordava às pressas porque sente o cheiro de comida queimando. Às pressas ele apaga o fogão e coloca a comida queimada na pia. Que azar, ele teria que sair para comprar comida fresca, não ia oferecer coisas não saudáveis para a Giulia comer. Era hora de acordar a pequena e levá-la consigo para que ela não corra o risco de se acidentar sozinha em casa,não se sabe o que poderia passar na sua mente.
Mas ao procurar pela casa toda, Enrich notou que a pequena Giulia não se encontrava. Ao ver que a porta de trás estava aberta, bateu-lhe logo um desespero. Onde será que a garota foi parar? Ele desce as escadas rapidamente e parte à procura da sua preciosa irmã, que era a pessoa que ele mais amava no mundo todo. Temia que algo de ruim tivesse acontecido à ela.
Giulia encontrava-se perto de uma delegacia. Andava lentamente pela calçada em zigue-zague, visivelmente sofrendo com tontura causada pela glicose alta e o calor das 14 horas. Chegando mais perto do prédio um soldado de plantão avista a garota passando mal, ao tentar socorrê-la a menina reclama de vista escurecida e a cabeça está rodando. E em seguida desmaia no colo do rapaz que logo a põe na viatura e a leva para a emergência.
Enrich chega na doceria onde sua irmã tinha passado mais cedo perguntando sobre a Giulia. Ele é informado pelo dono que a garota tinha passado lá e consumiu um litro de água, além de ter tomado uma ducha e comeu alguns doces. Esqueceu até uma boina azul em cima da mesa. Pronto! O nervosismo aumentou. Agradeceu ao moço, pegou a boina da menina e foi em direção aos prontos socorros mais próximos onde ela pudesse estar internada.
Deu sorte! No primeiro hospital ele encontra o policial junto da sua irmã que estava sentada numa cadeira com o braço imobilizado, tomando soro na veia. Como ele agradeceu àquele soldado! Aquela menina era tudo que lhe restou, se tivesse acontecido algo de grave com a Giulia ele não iria se perdoar pelo descuido dele. Era sua responsabilidade. Era sua vida. Seu tudo!
Enrich pegou os documentos dele, da garota, os receituários dela e os apresentou para o doutor. Já foram tirando a pressão da menina e espetando seu dedinho. A pressão da Giulia estava normal, porém como era de se esperar a taxa de glicose estava muito alta. Já chegava a enfermeira com uma seringa para espetar seu braço. "Suli"? Sim, era a dose de insulina que a jovem ainda não tinha tomado. Já medicada foi repousar no colo do irmão enquanto sua glicose baixava.
Já com o sol se pondo Giulia recebe alta da emergência, e Enrich uma bronca dos doutores pois a garota poderia ter morrido. Prometeu ele que nunca mais isso ia acontecer. A menina é carregada no colo até em casa pelo irmão atencioso, e chegam bem na hora dela tomar seus remédios para a cabeça. Estão famintos, mas não tem comida em casa. Assim pensavam, quando na residência estava a tia dos jovens que tinha preparado um jantar delicioso para seus sobrinhos.
Mas porque ela estava ali? Ela acaso sabia o que havia ocorrido com ele e a Giulia? Não, a tia estava lá para dar a notícia que conseguiu um laudo e aposentou a pequena sobrinha! Era um dinheiro a mais para lhes dar alívio e conforto para a vida deles. E aproveitou para fazer a janta já que provavelmente o Enrich teve que sair com a irmã para ser socorrida no hospital. Foi isso, mais ou menos, que aconteceu.
A tia já no dia seguinte tinha ido embora pois tinha que ir trabalhar. E já com o dinheiro a mais Enrich resolve compensar Giulia com vários mimos, levando ela num passeio divertido no parque de diversões. Com uma lancheira lotada de comidas apropriadas para ela. Levou também a bolsa térmica com as seringas de "suli" para quando fosse necessário. Tudo pelo bem da pequena Giulia, que nunca mais abriu uma porta na casa. Os cadeados pesados só sairiam das portas quando o seu irmão Enrich saísse com ela. Sem ela, jamais!!
segunda-feira, 8 de março de 2021
A garota e o irmão carinhoso
Eram 4 horas da madrugada. Não lembro bem qual era o dia da semana pois era período de férias, época que eu ignoro todas as responsabilidades com datas e horários. Estava fazendo um frio de doer na pele e chovia torrencialmente, com o vento soprando tudo lá fora violentamente. O suficiente para tirar para fora do poste o fio da eletricidade. Prontamente a luz acaba e tudo fica escuro, tenho que pegar a lanterna para procurar no guarda-roupa por mais cobertores pois naquelas condições o aquecedor não me serviria.
Eis que de repente ouço baterem a porta do meu quarto. Primeiro batidas bem fracas e quase inaudíveis, depois pancadas como se fossem derrubar a porta. Melhor eu conferir quem é logo. Estava lá, em pé, vestindo um pijama mal abotoado, com o rosto corado e cara de quem vai começar a chorar em breve, minha pequena e adorável irmãzinha. Ela entra no meu habitat natural e elevando seu rosto para olhar-me cara a cara começa a falar com sua voz doce e melosa:
-Maninho, posso dormir com você? Estou com muito medo de dormir sozinha no meu quarto escuro. E também está muito frio...
E aí, o que farei? Aceito ou recuso a oferta dessa pequena dama? Bom, antes que meu retardo mental pudesse raciocinar direito ela já estava se aninhando na minha cama e se ajeitando para ninar. Após um "obrigada" seguido de um sorriso encantador e sonolento, vagarosamente ela fecha seus olhinhos ramelentos e começa a dormir quase que de imediato o sono mais profundo.
Ah, deixa quieto, por quer vou deixar sozinha minha pequena que tanto amo fraternalmente? Logo depois dela ter pedido com tanto charme, na maior sinceridade e inocencia, não tenho porque recusar. Como irmão mais velho, meu instinto protetor falou mais alto. Vou deitar também, afinal ainda estou cansado e também está frio para caramba fora das cobertas. Misericórdia, só falta nevar!
Ufa, finalmente estou aqui no quentinho da cama acompanhado do meu pequeno amorzinho. Por um instante começo a me lembrar dos memes da rede social e fico com a impressão de que a qualquer momento a polícia do país mais rico do mundo vai vir com um exército e tanques de guerra derrubando a casa para me levar preso. Mas logo volto a prestar atenção na fofinha dormindo comigo.
Olha só, tem um rio de saliva saindo da boca dela bem pelo buraco onde está nascendo um dente de leite. E como ronca! Mas seu ronco é uma melodia celestial comparado ao escândalo da dupla tempestade e ventania. Que falta tive nessa hora de ter o celular carregado para registrar digitalmente aquele momento único e mais satisfatório que descascar mexerica com faca. O jeito é aproveitar como dá.
Quatro e vinte, a chuva começa a piorar. E acho eu que minha pequena irmã percebe isso. Digo isso porque ela pressionava com força uma de suas mãozinhas contra o ouvido que não estava apoiado na cama. A outra mão segurava meu braço e o puxava com bastante insistência contra o corpo dela. Como é macio!! Essa é a sensação do paraíso? Sou o rapaz mais feliz do mundo!
Quatro e meia, não sei porque estou perdendo tempo olhando as horas mas tanto faz, começa um show de luzes no céu. Invasão extraterrestre? Não! Armagedom? Menos! Uma chuva de fogos de artifícios? Tampouco! Eram os relâmpagos cortando o horizonte. Acompanhados de trovões cada vez mais altos, bastando pouco depois até que os raios caíssem tão próximo de casa que parecia plena tarde tamanho o clarão.
E bem no meu ouvido um grito fino, estridente, fora ecoado logo após a explosão sonora da chuva. Seguido de uma enxurrada em cima da cama. Que molhadeira era essa, o telhado não tem goteira! Descobri assim que o cheiro forte subiu pelo quarto e vi a pobre com a parte de baixo do pijama ensopada. Não com baba, mas com urina.
Seu rosto branco começou a ficar vermelho. Agora são os olhos que começam a expulsar água. Começou a chorar e soluçar initerruptamente. Parecia ter cometido um crime imperdoável. Entre uma assoada de nariz e outra ela tentava se explicar e pedir mil desculpas, inclusive se ajoelhando no chão.
-Me perdoa, desculpa, sinto muito, eu não fiz de propósito, eu juro que foi sem querer, eu já sou grandinha e não deveria ter mijado na cama, mas eu fiquei muito assustada e deixei escapar. Por favor,não me odeie por causa disso, não vou fazer de novo. Qual vai ser minha punição? Pode me bater com força, eu mereço ser castigada por ter sido uma garota má!
Nossa! Desde quando ela aprendeu a formar frases tão complexas? Ignorando esse discurso comovente de lado, não me vejo em condições de fazer tamanha maldade com minha fofa. Tão somente a peguei no colo e comecei a afagar sua cabeças cheia de cabelos despenteados pouco me importando de me molhar ainda mais de xixi.
Ela deve estar bastante assustada, sentia seu coração bater muito rapidamente debaixo daquela pequena montanha de pele tamanho pp. Sugeri que deixasse para lá a surra e que me ajudasse a pôr aqueles panos molhados para lavar e também tomássemos banhos para tirar o mal cheiro da água inesperada. Maldito blecaute, tenho que esquentar água para tomarmos banho, água gelada nesse frio é de lascar!
Roupa posta na máquina e água quente na banheira, chamo minha irmã para se lavar primeiro! Eis que ela faz a sugestão de que tomemos banho juntos! Só pode ser piada!! Ela usava da sua manha para me convencer, argumentando que não queria acordar os pais para dar banho nela e que sozinha no escuro não daria! Escuro uma ova, tinha umas 20 velas no cômodo. Cadê todo aquele discurso de ser uma mocinha independente?
Enfim, como não consigo recusar os pedidos dessa sapeca e como também não me importo se o leitor aqui me achar um pervertido escroto pois não tem como provar, entramos os dois na banheira. Munido de sabonete e esponja, começo a esfregação no seu corpo alvo quase albino, admirando minha anja gargalhando com cada passada da esponja. Faz tanta cócega assim? Bem, é hora de lavar a cabeleira dela. Que xampu cheiroso!
Nós dois limpos, é hora de trocar de roupa. Primeiro fomos ao quarto dela para pegar suas vestimentas. O escolhido foi uma camiseta branca e uma calcinha listrada. Por que só isso? -Porque o banho já me deixou quentinha e porque o resto do calor eu consigo dormindo junto do meu maninho!
Ok, me pegou de jeito, me rendo de novo. Até porque ela fica uma gracinha usando listrinhas! Coloquei minha roupa de frio e voltamos pra cama, já com outros lençóis, limpos. Agora debaixo das cobertas um cheiro bem mais agradável e doce. Já quase voltando a dormir sinto os lábios da minha queridinha encostando em minha bochecha e a seguinte frase, a melhor dessa madrugada:
-IRMAOZÃO, EU TE AMO!
A próxima hora não consegui dormir de tanta emoção e alegria...quando dei por mim já eram seis da manhã e a chuva já tinha abrandado. O sol brilhava e minha maninha pedia para acordar, e irmos juntos para a escola.





