segunda-feira, 27 de março de 2023

A escola dos sonhos

 É domingo, típico dia para não se ter aula. É dia de descanso, pelo menos para a maioria das pessoas. A excessão dessa vez é uma garota sabida chamada Sophie. Nesse domingo nem tão frio nem tão gelado a pequena fará um teste para entrar em um prestigiado instituto de ensino, uma escola chique e de elite.

 O sol brilha, o aquário está limpo e o vento sopra a favor. É a oportunidade perfeita para a pequena brilhar, dar muito mais orgulho para sua família e conseguir um emprego que tire seus pais da periferia barra pesada da comunidade. Fazer o quê, até nos lugares mais pacatos tem um pedacinho de chão minado...

 Todo ano a tal escola oferecia cinquenta vagas para os alunos mais pobres que não podiam pagar a matrícula e as prestações mensais. Bastava se sair bem no teste de admissão. Muito bem, pois as vagas eram disputadas no tapa.

 Sophie queria por que queria querendo com todas as forças uma das vagas por dois motivos: seus atuais colegas eram verdadeiros baderneiros bagunceiros e desordeiros. O outro ponto era que sua paixonite, Bernard, estudava lá.

 Logo Sophie trata de devorar os livros, estudando até a exaustão, alocando tudo de importante que com certeza cairia entre as 500 questões do exame. 200 questões de exatas, 250 de humanas e 50 de artes.

 Semana puxada, mas valeria a pena. Antes do domingo já tinha imprimido seu cartão de inscrição e já estava afiada em várias matérias. Na véspera teve que tomar muito suco de maracujá para acalmar a ansiedade e dormir tranquila. No grande dia foi só pegar sua caneta azul da sorte e a carteira com dinheiro para o lanche.

 Sophie para no ponto de ônibus para pegar a condução, o local da prova é na outra cidade, longe para ir a pé. Pé esquerdo, porque primeiramente seu passe livre estava bloqueado (domingo, normalmente não tem aula hoje!), Aí se foi parte da grana com a passagem. Empecilho dois: ônibus lotado, ficaria em pé cansando as pernas. Ah, a pequena é jovem, vai aguentar um tempo.

 Um tempo gigante, alguns quilômetros para frente havia manifestação e interdição da pista com direito a pneus incendiados. Sophie se irrita, por que essa palhaçada? Nada ia se resolver e ela seria prejudicada. Desejou que o motorista passasse por cima dos manifestantes e do fogo. Não foi preciso, o ônibus foi desviado por uma estreita estrada de barro. Um pequeno atraso, é a vida, depois dessa seria difícil algo mais dar errado.

 Mas deu. Deu com os pés na lama, pobre Sophie! Teria que achar uma torneira para limpar seus tênis. Achou, mas não de graça, teve que pagar umas moedas para um morador local que lhe cedeu a água, e um pano para secar os pisantes. Chega de sofrimento, a escola onde fará a prova está a apenas poucos passos.

 Haha, o calvário continua, o cartão da inscrição imprimido ficou na escrivaninha. O destino não queria que Sophie se juntasse com Bernard na escola. Sem problema, era só achar uma Lan house para reimprimir o vale, não custaria tanto assim. Por ser domingo quase todo o comércio ali estava fechado, por sorte tinha uma casa de informática aberta. E depois de ter terminado com o que tinha que fazer, acabou sobrando dinheiro apenas para a passagem de volta.

 Agora é correr para chegar antes do fechamento do portão. E antes que a chuva que começava a cair a encharcasse. Bem em cima da hora, que alívio... O professor responsável examina a pobre garota e gentilmente lhe empresta uma toalha para Sophie se secar. Ela entrega o cartão para o mestre e senta-se já mais tranquila para fazer a avaliação, difícil em exagero.

 Foram seis horas de tranquilidade e silêncio, que sentimento de paz! Que acaba em outro ônibus lotado até a boca. Sophie nem liga, vai dormindo em pé mesmo, apoiada nos outros passageiros. Só acordou quando chegou no seu ponto. Desceu com tudo, entrou em casa, tomou banho e engoliu a janta. E voltou a dormir tamanha era sua exaustão.

 Passa uma novena desde então, o resultado sairia hoje. Sem agonia dessa vez, Sophie verá sua nota online. Que alegria! De mil pontos possíveis ela fez 984!! Isso a classificava com a vaga número 50!!! Que se dane os 49 primeiros, agora nossa Sophie seria aluna da prestigiosa e respeitosa escola!!!!

 Que lugar diferente! Aquela escola era 6 vezes maior que a escola atual de Sophie, era tanta sala que o crachá do estudante vinha com um chip GPS para mostrar a localização de sua sala. Os corredores eram climatizados e haviam dois elevadores, além de rampas para acessibilidade. Era naquele luxo que nossa garota iria estudar.

 Chegava o novo semestre, e chegava Sophie e mais 49 novos alunos para progredir com seus estudos naquela instituição. A garota fica impressionada com sua sala de aula espaçosa. Ela também se diverte bastante com seus novos colegas e professores.

 Até a merenda escolar era diferente, era nutritiva e gostosa, não era só bolacha seca com suco de tinta artificial. Que felicidade! O domingo de azar seria obliterado por uma vida de estudante rica. Mas toda aquela maravilha não seria grande coisa comparado a hora que ela fosse de encontro ao seu amado nos dormitórios.

  Coincidentemente o professor responsável pela prova de admissão era o responsável pela distribuição dos novatos nos dormitórios da escola. E por ver que aquela garota era esforçada o professor deixou dessa vez que Sophie escolhesse o quarto. E adivinha: o dormitório escolhido foi o ao lado do quarto do Bernard. Pena que o casal não pôde ficar junto. Mas ao menos ninguém quis dividir quarto com Sophie. Então, quem sabe ela convide o rapaz para uma "sessão de estudos a seco"? Deixa só enviarem a bagagem da Sophie...

 

 Moral da história: não há nada que esteja ruim que não possa piorar. Mas no final tudo pode melhorar se ficar melhor!

 

 ©2023 Izumi sensei produções toscas ™. Pode copiar se desejar. Texto produzido com um editor de texto gratuito num aparelho touchscreen com kernel Linux 

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