sexta-feira, 9 de abril de 2021

Partida de futebol

  Brincar na rua. Era o que a garota dessa história mais gostava de fazer, brincar na rua com seus muitos amigos, muitos deles estudavam com ela. Toda a hora estava solta na rua inventando o que fazer, ora sozinha ora acompanhada. Correndo, pulando corda, jogando bola de gude ou até um dominó relaxante... Fugia de casa e só voltava quando a iluminação solar era substituída pela luz dos postes.


 A moça tinha todo tipo de gadgets eletrônicos para se divertir: televisão por assinatura, consoles modernos, tablet e tocador de blu-ray. Mas os brinquedos que mais a interessavam eram os mais simples que ela tinha. Bolas de futebol, de praia, miniaturas de carrinho (ela tinha muitos deles), bonecas e alguns jogos de tabuleiro. Jogos esses nos quais ela era especialista e nos seus grupos sempre estava invicta.


 Domingo pintava no pedaço. A brincadeira combinada seria uma partidinha de futebol na quadra da praça do bairro, que apesar do estado deplorável ainda era o principal ponto de diversão da garotada. A garota foi encarregada de trazer a bola do jogo e assim ela o fez. Encontravam-se ali 7 garotos e a jovem detentora do objeto esférico. É, a única menina que gostava desse esporte era ela, as outras 5 preferiam pular elástico.


 Dividiu-se o bando em 2 times: 4 no time dos sem-camisa e 4 no time da garota. Começa a partida: durante 10 minutos vemos o quanto a menina é excelente goleira, nenhuma das muitas finalizações entravam na barra defendida por ela, pois a garota pegava todas! Eis que de repente, numa jogada não proposital o garoto que era o melhor do time adversário lhe arremessou uma bomba. Apesar de ela ter se afastado para não tomar a bomba, o esforço foi em vão: a bola tinha voado por cima da trave e foi repousar dentro do quintal de uma residência ali perto.


 A dona da pelota se ofereceu para recuperá-la. E foi então até o portão do casarão... Era alto e tinha pontas perfurantes, e ainda tinha o muro cheio de vidro quebrado. Aquilo não a impediria de resgatar sua preciosa bola. Teria que se esforçar para recuperar seu brinquedo para assim ela e seus colegas continarem se divertindo com a partida. Ela reúne suas habilidades de escalada e agarra a grade com seus bracinhos finos, dá um salto ornamental e pousa do outro lado do portão. Averiguou o perímetro para ver se tinha alguém ali. Nada. Era pegar a bola e vazar dali.


 Logo ela viu a bola repousada num cantinho do quintal. Porém quando foi pegá-la o cão de guarda havia avistado a invasora. O grandalhão passou a correr atrás da menina rosnando ferozmente. Contudo a menina era rápida e logo já havia jogado a bola para fora da casa e pulado de volta o portão, tendo somente um pedaço da saia arrancado na mordida. Para completar ela acabou enroscando a camiseta nos ganchos do alto do portão, que desfiou-a inteiramente.


 Missão concluída mas vestimenta destruída. E agora? Tudo bem, concordaram que ela jogasse no time dos sem-camisa. E assim no segundo time a goleira de sutiã e saia mastigada foi defender a barra adversária. Sempre impedindo os gols dos garotos, pulando no chão e agarrando sempre a bola que a deixava cada vez mais sujinha. A peleja acabou na hora do almoço, empatada em 0. Foi uma boa e divertida partida.


 Foi um espanto para a família ver a pequena retornando naquele estado de sujeira e com o tórax de fora, a camisa descascada em sua mão e a saia esburacada. Teve que ser lavada com a escova amarela de lavar roupa para que todo o grude acumulado da brincadeira ser desintegrado, para que assim ela pudesse almoçar. Já limpa e cheirosa, foi comer e tirar um cochilo. E para não mais se sujar convidou alguns colegas para jogar umas partidas de uno até à noitinha. E claro, a especialista sempre abusando da carta +4 do jogo.

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