Era madrugada, quase manhã. Zayure termina de arrumar a sua bagagem. É sábado, a moça vai finalmente poder visitar o pai. Tudo culpa da sua mãe e a tal liminar da justiça que não permitem livre acesso entre a filha e o pai, ou pelo menos dificultava esse contato.
Pois bem, uma briga quase trágica entre os pais de Zayure terminou em divórcio. O pai partiu daquela casa para nunca mais voltar. Não fez questão de levar além das roupas do armário seus documentos e algumas de suas plantinhas de vaso. Para ele não importava que metade da mobília, dos eletrônicos e da casa tivessem vindo de suas economias.
Já tinha arrumado um lugar para alugar e também um emprego estável. Tudo que restava era a sua querida Yu, mas isso sua mãe não permitia. Fez de tudo para conseguir a guarda dela e a manter longe daquele homem. Pura injustiça, pois até Zayure era praticamente metade do gene de cada.
A garota era a que mais sofria com essa separação. Tanto porque sentia saudade de seu pai carinhoso quanto pelo sarro dos colegas dizendo que seu progenitor foi comprar cigarro e nunca mais voltaria, e sua mãe era uma separada vadia da vida, garota de programa.
Antes que fosse vítima de depressão, sua mãe permitiu que a cada três meses Zayure visitasse seu pai. E hoje é o dia dessa visita. Serão apenas dois dias por causa da escola, e porque se for um a mais a polícia vem bater na porta. É aproveitar e matar as saudades e pegar sua pensão como recomendou a mãe.
Zayure não se importava tanto com o dinheiro, só queria passar o tempo se divertindo com seu velho. Então logo que ela põe a última peça íntima na mala ela se manda para o ponto de ônibus. Até poderia ir a pé mas ia chegar suada e fedida, e de condução chegaria tão logo e teria mais tempo de lazer.
Zayure chegou no apartamento alugado pelo separado. Estava trancado, ninguém estava no momento no lugar, porém ela não iria ficar lá plantada na frente do prédio. Por sorte ela conhecia a proprietária, que morava no terceiro andar do condomínio, aí foi só subir uns degraus e bater sua porta pedindo uma chave reserva.
De posse da chave, ela destranca a porta e adentra o apartamento. Estava varrido e organizado, nada mal para um homem solteiro.
Apenas algumas roupas estavam em cima da cama para dobrar e guardar no armário. Naquele monte de roupa além das que o pai costumava usar haviam também roupas femininas. Estranho, não poderiam ser dele pois eram de tamanho incompatível.
Assim que Zayure termina com a roupa ela resolve preparar o almoço. Havia uma curiosidade da garota para saber o motivo daquelas roupas diferenciadas. E se fossem para o velho fazer aquele tipo diferenciado? Melhor nem pensar muito porque o arroz já está queimando. Com o almoço pronto a garota se serve e em seguida deita no sofá para assistir.
Pouco tempo se passa e a garota adormece. Mas um pouco de tempo o pai chega ao apartamento acompanhado de uma jovem moça bem bonita. O casal estranha a porta da residência destrancada, e se surpeendem com a menina dormindo no sofá profundamente. O pai se aproxima da filha e a cutuca até ela acordar.
Zayure se espanta ao acordar e ver o pai junto com outra mulher. Que foi apresentada como sua namorada. Tinha a conhecido a alguns meses atrás depois da última visita e recolhimento de pensão da filha. Foi uma surpresa para Zayure ver que seu pai tinha arrumado uma companheira, e sua companheira ficou surpresa com aquela garotinha fofa.
Fofa e boa cozinheira. O casal ali jamais haviam almoçado tão bem, eram só elogios para a garota que foi o assunto da conversa naquela tarde enquanto Yu lavava a louça suja. Era ela a filha que o pai tanto falava para sua parceira. Doce, atenciosa, alegre, inteligente. Um orgulho de pessoa que por causa de uma mulher ingrata ele raramente a via.
No restante do dia sem terem muito o que fazer os três sentam no sofá para assistir até perto da hora da janta. Como qualquer pai preocupado com os filhos, enquanto conversava também perguntava para Zayure coisas tipo: como vai na escola, e os namoradinhos, como a mãe estava a tratando, como estava a sua saúde, se sentia muita saudades dele.
Sobre a escola respondeu que não ia tão bem porque tinha muita dificuldade de entender as matérias, passava raspando. Já sobre namoro tinha sido rejeitada por dois rapazes que ela tinha se declarado, dois vexames traumáticos. A mãe continuava ríspida e impaciente com ela, mas tinha parado de bater na garota. A saúde estava aceitável, apenas a pressão um pouco elevada.
E saudades de estar ao lado do pai? Nossa, tinha bastante! Zayure era acostumada a dormir desde bebezinha ao lado dele e da mãe. Agora dormindo sozinha sentia uma solidão imensa, entristecedora. Mesmo com a mãe no quarto ao lado. Passava madrugadas chorando baixinho, ia para a escola emburrada e desanimada porque não tinha a companhia do pai querido.
Bom, pelo menos por esse fim de semana a garota pode matar essa vontade, isso é, se na cama caberá outra pessoa já que agora papai tem uma outra mulher para dividir leito. E a cara da moça era de não se importava, o espaço era grande.
À noite antes da hora de dormir pegaram uns dados para jogar yahtzee, um negócio que Yu aprendeu na escola. Depois a jovem foi tomar banho e vestir seu pijama para dormir após seu pai negar que assistisse um filme que ia passar bem tarde. Que usasse o videocassete para gravar, faz mal para o organismo desconfigurar o relógio de seu metabolismo, virar noite pode trazer danos, e focar uma luz de monitor em um ambiente escuro deteriorava a visão.
Obediente, ou talvez ansiosa, Zayure vai direito para a cama, se intrometendo no meio do casal. O pai que devia estar ali no meio das suas preciosidades, porém a sua companheira, encantada com a pequena nem deu bola. Deu foi uma afagada na sua cabeça. O pai veio a fazer o mesmo. Enquanto Zayure aos poucos ia adormecendo também ia agradecendo os carinhos.
Manhãzinha já, a visita desperta sozinha na cama. Os adultos madrugaram, onde teriam ido? Nada longe, estavam no chão da sala nus fazendo sexo na maior naturalidade. O pai sem parar o que estava fazendo dá bom dia para sua filha, que corre para o quarto com as lágrimas escorrendo pelo rosto. O senhor interrompe sua diversão, veste uma roupa e vai checar o que ocorreu com a pequena.
Aparentemente nada, só que ela tinha lembrado as vezes que ela flagrou-o fazendo aquilo com a mãe quando chegava da escola. E na sua cabeça pensava que o divórcio dos dois era por causa desse intrometimento da parte dela. Sentia culpa por ser esse incômodo na hora da diversão deles. Mas não era nada disso o motivo da separação.
O pai começou a contar a verdade para aquela criatura inocente. As brigas nada tinham a ver com ela, era tudo culpa do seu trabalho anterior que era explorativo. Muitas vezes fazia hora extra e não era pago, e ao voltar tarde era acusado de ficar bebendo com mulheres da vida pelos botecos gastando o salário. Ele acabou tomando desgosto e quis se separar daquela ciumenta.
Foi a melhor decisão que teve antes de cometer uma besteira. Se continuasse ali ceifaria a vida da mãe de Zayure. Ele iria para a cadeia e a menina para algum abrigo, sem pai ou mãe para a amparar. Com esses dizeres a moça se acalma, abraça o pai e pede desculpas. A outra moça já vestida entra no quarto e pede desculpas para Zayure.
Tudo beleza, a pequena estava acostumada com cenas extravagantes como aquela. Perguntou a ela desde quando o pai a conhecia. Fazia dois meses e pouco, numa cafeteria, foi amor à primeira vista. No dia seguinte marcaram um encontro e sete dias depois com a autorização dos pais estavam namorando. Foi um pouco difícil os convencer, desde que o rapaz tinha o dobro de sua idade,19.
Bom, de maior já era, mas porque alguém tão mais velho? Porque ela quis, idade não manda no coração. E também o coroa não era de se jogar fora, tinha corpo e físico de invejar universitandos. Era amor acima de qualquer interesse financeiro, já que ela também trabalhava além de estudar. Para sua vida só faltava um companheiro para construir seu futuro.
Esse futuro já estava presente, sem perda de tempo o casal estava noivando, e breve teriam um bebê. Um meio irmão para Zayure. As condições eram tão favoráveis que logo o pai daria entrada na casa própria. E sua filha adorável era mais que bem vinda lá. Que alegria ver que o pai estava finalmente vivendo felizmente, e também estava ansiosa pelo novo membro da família.
Mas e sua pensão, como ficaria? Antes de ir embora seu pai pegou esse dinheiro e pôs em sua mala. E em seu sutiã colocou uma grana bem maior que a outra. Disse que a da mala era para a velha gastar com ela e Yu. A outra a menina podia gastar como quisesse. Viajar para a Ásia, comprar jóias, ou um helicóptero. Zayure disse que guardaria em seu cofre, e juntaria o suficiente para comprar uma casa bem perto da dele assim que fosse independente.
E assim a moça volta para a casa da mãe. Empolgada porque daqui a três visitas vai poder brincar com seu mais novo irmão mais novo. Eita, a família está cada dia crescendo. Só falta sua mãe, velha coroca, ranzinza e rabugenta arrumar outro parceiro. Mas duvido que alguém seja masoquista à esse ponto.
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