Sumizumi era uma pequena moradora de rua. Pequena mesmo, pois tinha somente 9 anos de idade. Tinha decidido fugir de casa pois seus pais viviam brigando entre si e com ela, todos os dias eram desentendimento e gritaria. Sumizumi era a que mais sofria: qualquer coisa que a garota deixava de fazer ou fazia mal feito era uma chinelada, uma cintada ou palmadas no traseiro. Sempre tinha algum hematoma ou cicatriz no corpo causada pelo pai ou pela mãe.
Seria melhor para Sumizumi sair daquele inferno, não era vantajoso viver aqueles maus tratos apesar dos luxos que a garota recebia. Antes viver sem brinquedos eletrônicos e roupas de marca que ter que apanhar toda a hora à troco de nada. E de bônus como moradora de rua não teria a obrigação de dormir cedo ou tomar banho todos os dias. Nem teria que ir à escola.
Passou a morar perto de um viaduto junto com algumas coisas que tinha trazido com ela. O local era favorável porque a todo tempo passavam pessoas que por dó vez ou outra davam algumas moedas ou algo para ela comer. Quando a preguiça deixava ela andava até a feira onde depois de ficar namorando as barracas dos comerciantes acabava ganhando algumas frutas e vegetais para comer. Muitas vezes os menos bonitos e mais machucados que ninguém queria comprar.
Se de um lado ela não tinha mais o luxo e o conforto de uma casa, ao menos tinha liberdade para explorar a cidade, comia pouco mas às vezes tinha sorte de comer hambúrguer ou batata frita que ganhava dos pedestres passando. E também podia brincar com as crianças de sua idade, que moravam por perto, mesmo com os pais de alguns tendo preconceito porque a garota morava na rua.
Quando juntava moedinhas o suficiente, coisa que demorava semanas para acontecer, Sumizumi pegava as economias e ia comprar guloseimas na padaria da rua. Sempre levando uma reclamação do dono porque quase sempre ela entrava toda suja e mal cheirosa no local. Sempre era levada ao banheiro da loja e só saía de lá quando terminava de tomar o banho, aí sim podia saborear seus pães doces e sonhos recheados de leite condensado.
Chegou a época do inverno e as coisas começaram a apertar para Sumizumi. Com a época de frio e chuvas constantes. O movimento na rua e na feira diminuíram, as moedas mendigadas começaram a rarear. A disputa pelos carros era acirrada, e como os garotos maiores eram violentos a pequena Sumizumi passava longe. Não queria levar uma surra, era melhor apertar o cinto ou implorar para o dono bondoso da doceria fazer fiado.
Um dia Sumizumi estava desesperada de fome. Nesse dia a doceria estava fechada. Nenhuma barraca de vegetais estava montada. Era feriado... Apenas um pequeno quiosque onde um senhor vendia espetinhos. Ao ver a pequena com o estômago roncando, pede que ela se aproxime. Ofereceu um churrasquinho para Sumizumi e lhe faz uma proposta. Ela ganharia um trocado cada vez que a garota lhe trouxesse um gato para ele.
Não quis nem saber para quê o senhor queria os gatos, pois ganharia uma bela grana para comprar comida! Óbvio, sem ninguém saber aqueles bichanos virariam espetinho. Dinheiro fácil para Sumizumi que sempre ia dormir num local onde se reuniam muitos gatos à noite. Com sua astúcia construiu uma armadilha para pegar os gatos. E toda noite conseguia pegar um ou dois felinos que eram logo vendidos ao senhor do espetinho. E sim, ganhava muito dinheiro pelos gatos que ela vendia.
Sumizumi agora tinha dinheiro para comprar roupa nova, lanches caros de fast-food e os bolos mais caros da doceria. Foi um bom negócio para ambas as partes, pois o senhor quase que quintuplicou seus lucros e movimento em seu quiosque. Sumizumi estava satisfeita com a caça e venda de gatos para o senhorzinho. Até chegar o tempo que os animais começaram a desaparecer da cidade.
A menina conseguiu extinguir os bichinhos daquele lugar? Pelo visto sim. Apenas haviam dois em uma casa nas redondezas. Pensou invadir a casa quando fosse de noite. E lá foi Sumizumi pular a cerca. Catou um dos gatos que lhe encheu de arranhões. Ia saindo de lá quando o morador da casa a agarra pelos cabelos. Mandou soltar o animal e lhe apontou uma arma.
Sumizumi se ajoelha e começa a chorar desesperada, implorando para o moço não atirar. Quando na rua passava na hora uns conhecidos que por trás conseguiram tirar a arma das mãos do cidadão. O que a garota tinha feito? Ela era a responsável por "desgatizar" a região e agora queria dar fim aos seus mascotes. Em choque e toda molhada na calcinha, Sumizumi confirma tudo. Mas explica que ela os vendia para o tio do churrasco a troco de uns trocados.
Agora estava tudo explicado, tanto o dinheiro extra da menina e o sucesso do cara dono do quiosque. Sumizumi é perdoada e volta para o viaduto para descansar do susto. Ao amanhecer ela é levada como testemunha até o quiosque, vamos ver se o dono é pego no flagra e é levado preso por vender carne de gato sem autorização da vigilância sanitária. Eis que o comércio não estava mais lá. O senhor esperto tinha se evadido da região. Não havia mais o que fazer. Sumizumi teria que voltar a mendigar moedas.
Mas o dono da padaria que havia simpatizado com a garota, se compadeceu com o sofrimento dela resolveu adotá-la como filha. Ela poderia comer aquelas delícias todos os dias, mas teria que ajudar na loja, atender bem os clientes e tomar banho sempre. E ia frequentar a escola a partir daquele semestre. Ela concordou, com a condição de que ela pudesse sair às vezes com seus amigos "de apartamento". Sem ter mais a guarda dos seus pais de sangue, facilmente conseguiu ser adotada pelo dono da doceria a partir de seus documentos.
E assim Sumizumi vira filha do doceiro, vira a mais nova funcionária fofa do local, sempre limpa e cheirosa, e vira uma estudante exemplar. E sempre que folgava ia para o local onde morou por um tempo para dar um oi para seus amigos e conhecidos feirantes, que continuavam oferecendo as frutas e legumes que ela tanto gostava. Até mesmo arrumou um gato para cuidar. COMO ANIMAL DE ESTIMAÇÃO!!
Gostei, faça uma mais ousada da próxima :)
ResponderExcluirObrigado pelo comentário, em breve trarei as histórias mais pesadas. Se meu equipamento colaborar
Excluirque bom que gostasse :)
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