Essa é a história de uma garota chamada Hayza. Uma pequena garota que vivia sua vida alegre e intensamente. Era boa estudante, boa nos esportes e boa ajudante nos afazeres domésticos. Dava orgulho para seus pais e seus professores. Sempre estava disposta a tirar um tempo para estar ajudando aos outros.
Em um determinado momento Hayza fora chamada à diretoria. O que será que ela aprontou? Não era nada grave, porém era algo muito importante para sua carreira escolar. Seu esforço fez o coordenador promovê-la duas séries. Que bela recompensa!
-Obrigada senhor diretor, vou me esforçar ainda mais nessa nova série! Que alegria, que satisfação, que orgulho de filha os pais de Hayza tiveram ao receber o comunicado que ela trazia na mão. A garota super-dotada passara do 3° para o 5° ano.
Sua mãe a indagou se ela podia lidar com o avanço repentino de série. -Tudo bem mamá, eu sou capaz de me adaptar com certeza, afinal de contas eu sou um gênio. Se não der certo eu peço para o diretor me pôr de volta na 3a.
Começa uma semana nova com Hayza em sua turma, que era muito diferente da anterior. Os estudantes eram maiores e mais desenvolvidos de corpo, e eram mais intimidadores. As matérias também eram mais complicadas, mas ainda assim eram feitas facilmente por Hayza.
A garota chamava muita atenção por causa de seu tamanho, pois era muito menor que todos da sala. Também chamava atenção por causa de sua facilidade em entender as explicações dadas pelos mestres. Isso irritava os alunos mais velhos, que constantemente atormentavam a coitada. Ora colocavam apelidos ofensivos nela, ora jogavam bolas de papel para a desconcentrar, ou bagunçavam seu material. Uma vez chegaram a colocar insetos na sua lancheira! Parece que infernizar a vida de Hayza era satisfatório para aquele 5° ano.
-Por que eles são tão maus? Eu só queria fazer amizades novas e ajudar aqueles que têm dificuldade. Quero sair desse inferno, voltar ao meu hábitat natural. Tentara reverter a série em vão, pois os seus ex-colegas a viam como traidora, era sabida demais para ficar ali, que ela fosse puxar o saco dos seus amigos adultos.
Passavam-se os dias e Hayza ia ficando cada dia mais estressada com todos esses acontecimentos. Começou a ter dificuldade para acordar no horário e até choramingava algumas vezes para não ir. Eis que veio seu pior dia na escola: Hayza foi recebida com um banho de água gelada!
-Chega, não suporto mais. Ela fala com seus pais que vai abandonar a escola, se fosse para ser humilhada era melhor estudar em casa pela internet. E assim passou dois meses sem ir no colégio. Sempre trancada no quarto, só saia para tomar banho e fazer as refeições.Aos poucos o tédio ia consumindo a garota. Não tinha mais vontade de sair aos fins de semana para treinar no parque. Mexer no computador não mais fazia-lhe ssntido. Com o passar dos dias nem se alimentar direito Hayza conseguia. Dormia até 20 horas por dia. Estava triste e abatida, e isso estava preocupando seus pais.
Eis que decidido a ouvir e tentar entender o que se passava na cabeça da menina, o pai entra no quarto de Hayza para uma conversa amistosa. Ela encontrava-se enrolada na coberta da cama com o rosto vermelho e olhos inchados, tinha tido uma crise de choro.
-Vai embora, não quero conversar nada, me deixa sozinha! O pai insiste em dialogar, mas a garota somente o ignorava. Ele sugeriu que se não houvesse jeito a levaria no psiquiatra para tratá-la.
-Você está me chamando de louca? Eu não quero ir para sanatório nenhum... Eu te odeio papá, ninguém gosta de mim, vou me matar. E saiu correndo para fora de casa. Seu pai logo em seguida saiu desesperadamente correndo atrás dela, pois não se sabia se novamente ela ia pegar o estilete e começar a ferir os pulsos. Hayza abre a porta da sala, ganha a rua e ruma direto para a avenida principal, pouco distante da sua casa. Como não havia movimento de carros na rua, logo teve sua sacada genial: subir no viaduto e saltar de lá, acabando de vez com seu sofrimento.
-Até nunca mais, humanidade malvada! Foram as palavras finais de Hayza, após pular de 4 metros de altura e cair de lado no asfalto da rodovia, quebrando vários ossos e deixando um rio sangrento naquele asfalto. O pai que não era atleta tinha chegado tarde ao local. E a cena vista por ele era muito angustiante.
Sem ter muito o que fazer, a ambulância foi chamada ao local. Ainda havia esperança, o coração da garota ainda batia e ainda ouvia-se sua respiração, apesar de estar inconsiente. Rapidamente o socorro chega para a resgatá-la, a situação era delicada demais, talvez por um milagre ela se salvasse sem muitas sequelas.
Enquanto isso no mundo espiritual despertava Hayza, agora uma pequena alma penada fora do corpo, uma fantasminha! Que de uma certa altura flutuava olhando seu corpo todo avariado indo passear de carro até a UTI. Concluiu que era só questão de tempo até ir parar dentro de um caixão e rumar sua alma para o inferno por ter se suicidado.
Não! Naquele momento uma luz aparece sobre ela, e não era a dos postes de luz porque a iluminação pública daquele local era precária. Também não era uma espaçonave porque os extraterrestres não perderiam tempo nesse planeta nosso. Era seu anjo da guarda que apareceu para Hayza explicando o que lhe ia acontecer dali em diante.
Não era para ela ter morrido tão jovem, ela teria uma chance para ressucitar se assim ela desejasse. Ela escuta seu anjo atentamente, diferente do seu pai e sua mãe que Hayza ignorava, tinha tomado desgosto de comunicar-se com esses. Depois do sermão dado pelo ser espiritual, a garota começou a falar sobre sua vida, do seu ponto de vista. Era motivo de piada na escola, ninguém a respeitava, e isso acumulou-lhe tanta raiva até um ponto que Hayza surtou.
-Não tenho mais amigos, minha rotina ficou maçante e tediosa e papá acha que sou uma louca que tem que ser internada. Ninguém vai sentir minha falta, prefiro continuar vagando feito fantasma por aí e assustando as pessoas pela eternidade, vingarei toda a humilhação que passei quando era viva.
Hayza não contava que não era bem assim que funcionava. Se não fosse para reviver e se arrepender dos pecados cometidos por ela em vida iria direto para as trevas. E também a visão sobre sua vida fora distorcida por sua condição depressiva. Foi dado um prazo para ela refletir sobre seu destino. Qualquer coisa ela poderia nesse tempo pedir auxílio para seu anjo da guarda.
Resolveu então dar uma passeada pela cidade para refrescar a mente. Não podia fazer contato com os vivos todavia, o que fazia ela ficar um pouco frustada. Voou por longas horas até cansar. -Poxa, pensava que o mundo dos mortos seria mais divertido... já estou entediada! Vou para casa ver como estão passando sem a minha presença. Talvez mamá deva estar comemorando por ter se livrado de um fardo inútil como eu.
Não aconteceu o que Hayza pensou. Sua mãe estava lá nervosa e desesperada, esperando notícias da filha, ela não teve coragem de vê-la toda arrebentada em um leito hospitalar. E seu pai? Estava na sala de espera aguardando a conclusão da cirurgia ao qual passava a menina. Rezando para que sua pequena saísse a salvo daquela sala de operações. Aquilo tinha tocado Hayza e clareado sua mente nublada pela depressão. Realmente seus pais a amavam incondicionalmente. A pequena fantasma chorou um bocado emocionada, queria abraçar seu pai mas não podia, que infelicidade...
Pela manhã foi ver a escola onde estudava: estavam todos de luto! O terceiro ano passou todas as aulas homenageando a ex colega da turma e relembrando os dias que passaram com a companheira que ssmpre se dispunha a ajudar os mais necessitados. Com a participação dos quintoanistas que eram os atuais colegas de Hayza.
Estava decidido, passado apenas dois dos três dias de prazo o anjo fora chamado. -Quero ressucitar por favor, senhor anjo. Eu percebi que esse negócio de todo mundo me odiar foi uma invenção nociva que eu fiz minha mente imaginar. Eu era feliz e não sabia. Enfim, essa é minha decisão final.
Estava pronta para voltar, mas havia um porém: seu corpo não seria mais o mesmo. Teria uma prótese no lugar de uma das pernas, placas metálicas e parafusos em partes do crânio e nos braços, e teria a visão e audição do lado esquerdo reduzidos. Foi dado a ela outra opção, a de reencarnar num novo ser que acabara de nascer naquele grande hospital.
-Ah, an, quero voltar para minha vida feliz mesmo adquirindo essas deficiências. Quero viver intensamente como antes, até mais!! Dito isso foi autorizada a retornar ao seu recipiente carnal, e naquele momento Hayza despertava do coma sentando-se na maca.
Ao ver sua filha acordar daquele desastre, seu pai não se conteve: pegou-a nos braços e os dois começaram a chorar. Entre um soluço e outro a garota já ia pedindo desculpas por tamanha rebeldia. Tendo alta horas depois foram bem ligeiro para casa pois Hayza queria ver sua mãe.
Lá ela foi recebida com uma grande festa pela sua recuperação, com convidados como alguns colegas e mestres da escola. Realmente Hayza era muito querida por todos, e só depois de quase perder tudo ela veio perceber...
Já no dia seguinte, ela era o centro das atenções: gabava-se ter virado uma espécie de ciborgue ultra poderosa, vejam só! Iria demorar para se adaptar à nova perna robótica para voltar aos esportes, mas só de poder voltar à sua rotina de sempre, que ela considerava a melhor do mundo, já a fazia abrir um grande sorriso!!!
Passou-se os dias e ela voltou a dormir normalmente, comer normalmente e se higienizar normalmente. E como uma mudança que de repente ela quis experimentar, agora todo sábado ia frequentar a igreja que existia no bairro. Para se confessar e para agradecer ao seu anjo da guarda que a salvou de um triste fim. E agradecer pela sua vida suficientemente perfeita.
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